O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso em Bogotá, na Colômbia, onde abordou questões relevantes da política internacional. Em sua fala, ele criticou a postura dos Estados Unidos e alertou sobre o aumento dos conflitos globais, ao mesmo tempo em que defendeu a cooperação entre a América Latina e a África.
Durante o Fórum de Alto Nível Celac-África, Lula fez menções indiretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e questionou a lógica das intervenções militares. Ele afirmou:
Não há, nem na Carta da ONU nem na Bíblia, nada que diga que um presidente pode organizar a invasão de um país a outro.
O presidente expressou sua preocupação com o cenário atual, afirmando que o mundo enfrenta um dos períodos mais conflituosos desde a Segunda Guerra Mundial. Ele destacou a necessidade de uma aproximação entre as regiões, ressaltando laços históricos e culturais, e mencionou Salvador como a cidade com a maior população negra fora da África.
Lula também abordou a questão da escravidão, afirmando que ainda existe uma “dívida histórica” a ser paga. Embora reconheça avanços, como as políticas de cotas no Brasil, ele enfatizou que esses esforços são insuficientes diante dos impactos de mais de 350 anos de escravidão.
O presidente criticou os altos investimentos em armamentos, que, segundo ele, ocorrem em detrimento de políticas sociais. Ele mencionou conflitos em Gaza, Ucrânia e Irã, afirmando que esses eventos agravam crises econômicas e sociais em todo o mundo.
Lula também se posicionou sobre a questão do Irã, defendendo que o Brasil aceitaria o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, mas questionou o endurecimento das sanções após acordos. Além disso, ele destacou a importância da inteligência artificial e da infraestrutura digital para o desenvolvimento sustentável.
O presidente mencionou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que visa promover a cooperação internacional e o uso de infraestrutura brasileira. Ele alertou sobre o potencial da África e América Latina na produção de energia limpa e na exploração de minerais críticos, defendendo que esses países devem agregar valor às suas riquezas naturais.