A Polícia Federal (PF) identificou Jaime Hoffelder como o líder de um esquema de garimpo ilegal que movimentou mais de R$ 200 milhões. Para evitar a ação das autoridades, ele utiliza pelo menos três identidades diferentes: Luiz Paulo Mallmann e Benjamim Pereira Leite.
As investigações revelam que Hoffelder é o responsável pelo financiamento da extração ilegal de cassiterita, além de coordenar o "esquentamento" do minério e operar uma rede de empresas de fachada para lavagem de dinheiro. A PF também destacou que o suspeito adota um rodízio de empresas ligadas ao esquema, abandonando aquelas que se tornam alvo de investigações e substituindo-as por novas.
O grupo é acusado de explorar ilegalmente minério em larga escala, causando prejuízos significativos à ordem econômica e danos ambientais. Para dar aparência de legalidade às operações, utilizam documentos falsos, incluindo Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) e registros fictícios de beneficiamento.
Além de Hoffelder, sua companheira, Monique dos Santos Silva, é alvo da investigação. Ela é considerada uma "laranja" consciente do esquema e proprietária da empresa de fachada Pryhry, utilizada para movimentar e lavar os recursos obtidos ilegalmente. O casal está foragido.
Outro investigado é Marcelo Rica, sócio da fundição de metais não ferrosos Tratho, que teria a responsabilidade de comprar a cassiterita extraída ilegalmente. Ele teve um mandado de busca e apreensão cumprido e um veículo Porsche registrado em seu nome foi apreendido.
Edegar dos Santos Ribeiro é apontado como contador das empresas utilizadas por Hoffelder para movimentar recursos ilícitos. Outros envolvidos, como Ronaldo Carlos Maia e Fernando Magno, são responsáveis por empresas que beneficiam o minério enviado pelas empresas de fachada.
Na quinta-feira (18/6), a PF deflagrou duas operações que fazem parte da primeira fase da Operação Trono de Ferro, iniciada em fevereiro deste ano. Foram cumpridos 36 mandados, resultando na prisão de seis pessoas e no bloqueio de aproximadamente R$ 405 milhões em bens e valores.
As medidas cautelares visam interromper as atividades criminosas e aprofundar a coleta de provas, além de identificar outros envolvidos no esquema. Até o momento, o total de bens e valores bloqueados na investigação ultrapassa R$ 650 milhões. Os investigados podem responder por diversos crimes, incluindo organização criminosa, extração ilegal de recursos minerais e lavagem de dinheiro.
Fonte: Metropoles