O Líbano se prepara para uma nova rodada de negociações com Israel, que terá início nesta terça-feira (23) em Washington. Beirute está determinada a avançar nas tratativas diretas, apesar de um cenário complicado, especialmente após a decisão do Irã de incluir o Líbano em suas próprias negociações com os Estados Unidos.
Autoridades libanesas afirmam que as negociações diretas com Israel são essenciais para pôr fim à guerra que afeta o país desde 2 de março, quando o Hezbollah disparou contra Israel em apoio ao Irã, resultando em ataques aéreos e terrestres israelenses que já causaram mais de 4.000 mortes no Líbano.
Apesar de quatro rodadas de negociações desde abril não terem conseguido um cessar-fogo duradouro, a trégua mais longa ocorreu recentemente, após um acordo entre Irã e EUA que estipulou a interrupção dos combates em várias frentes, incluindo o Líbano.
Esse acordo, no entanto, fortaleceu o Hezbollah, apoiado pelo Irã, e deixou o governo libanês em uma posição mais fraca. Autoridades libanesas expressaram ceticismo quanto à possibilidade de progresso nas negociações, que devem durar três dias.
Um dos principais objetivos do Líbano nas negociações é garantir um cronograma para a retirada das tropas israelenses, que, segundo autoridades israelenses, permanecerão no sul do Líbano por tempo indeterminado.
O porta-voz do governo israelense, David Mencer, afirmou que o foco das conversas será o desarmamento do Hezbollah e a busca por um acordo de paz genuíno. O governo libanês, por sua vez, tem agido com cautela em relação ao desarmamento do grupo, temendo um possível conflito civil.
Karim Safieddine, pesquisador do Tahrir Institute for Middle East Policy, alertou que Israel pode adotar uma postura mais inflexível nas negociações, dada a insatisfação com o acordo entre EUA e Irã. Embora a calmaria relativa tenha sido observada, não houve mudanças estruturais nas posições de ambos os lados.
As negociações diretas foram propostas pelo presidente Joseph Aoun em março, mas só começaram em abril, após um cessar-fogo anunciado pelos EUA. Desde então, os ataques aéreos israelenses diminuíram, mas os combates no sul do Líbano persistem.
O Hezbollah espera que o Irã exija a retirada israelense durante suas negociações com os EUA, e defende que o governo libanês deve priorizar essa abordagem em vez de continuar com as negociações diretas.