O tribunal eleitoral do Peru decidiu nesta terça-feira, 10 de outubro, rejeitar o pedido do candidato de esquerda, Roberto Sánchez, que solicitava a anulação dos votos registrados no exterior durante o segundo turno das eleições presidenciais. A disputa foi entre ele e a candidata conservadora Keiko Fujimori.
A decisão do órgão eleitoral abrangeu os votos contabilizados em consulados peruanos em diversas partes do mundo, incluindo América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia, Oriente Médio, África e Oceania. O tribunal considerou o pedido de Sánchez improcedente, uma vez que foi protocolado fora do prazo legal e sem o pagamento das taxas necessárias.
Os magistrados também alertaram os representantes do partido Juntos pelo Peru, de Sánchez, sobre a importância de respeitar os princípios de boa-fé e celeridade processual, evitando ações que possam atrasar o processo eleitoral.
Após a decisão, Sánchez reiterou suas dúvidas sobre a integridade da votação realizada fora do país e afirmou que não reconhecerá um possível governo de Keiko Fujimori. Ele argumenta que problemas administrativos e falhas na guarda do material eleitoral comprometeram a votação dos peruanos no exterior. Segundo suas estimativas, se os votos estrangeiros fossem desconsiderados, ele teria uma vantagem de cerca de 25 mil votos sobre Fujimori.
Outro pedido de anulação, apresentado por uma cidadã peruana relacionado a mesas eleitorais nos Estados Unidos, França e Espanha, também foi rejeitado. O tribunal alegou que a autora não tinha legitimidade para apresentar a ação e não cumpriu os requisitos formais exigidos pela legislação.
Apesar das contestações, os números oficiais indicam que Keiko Fujimori mantém uma vantagem superior a 43 mil votos, com mais de 19 milhões de votos contabilizados. Restam cerca de 39 mil votos pendentes de apuração, um número considerado insuficiente para alterar o resultado final.
Diante desse cenário, o partido Fuerza Popular anunciou que aguardará a conclusão oficial da contagem antes de declarar vitória. Observadores internacionais da União Europeia relataram que o segundo turno ocorreu de forma tranquila e organizada, mesmo em um ambiente de forte polarização política.
A disputa presidencial no Peru é uma das mais acirradas dos últimos anos na América Latina, com constantes mudanças na liderança durante a apuração, até que Keiko Fujimori consolidasse sua vantagem nas etapas finais. O resultado é acompanhado com atenção em um país que enfrenta crises políticas recorrentes, tendo já tido oito presidentes diferentes desde 2016.