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Justiça dos EUA avança em investigações sobre Banco Master

A Justiça americana autorizou o rastreamento de bens do Banco Master no exterior, ampliando a liquidação da instituição. A decisão permite identificar ativos ocultos relacionados ao ex-controlador Daniel Vorcaro.
Foto: Daniel Vorcaro CPMI STF

A Justiça dos Estados Unidos deu um passo significativo ao permitir o rastreamento de bens do Banco Master fora do país. A decisão, proferida pelo juiz Scott M. Grossman do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, visa ampliar a liquidação da instituição financeira, negando parcialmente um pedido da defesa do ex-controlador Daniel Vorcaro.

Desde o início do ano, mais de 28 intimações foram emitidas para galerias de arte, empresas de luxo e outros parceiros comerciais de Vorcaro. A EFB Regimes Especiais, encarregada da liquidação do banco, busca identificar ativos que possam ter sido ocultados ou transferidos de maneira irregular, incluindo obras de arte, imóveis e participações em empresas, algumas localizadas em paraísos fiscais.

Daniel Vorcaro, fundador e principal controlador do Banco Master, viu a instituição crescer rapidamente na última década, atraindo milhares de investidores com CDBs que ofereciam juros acima da média, totalizando cerca de R$ 50 bilhões em captação. Contudo, parte significativa desses recursos foi aplicada em ativos de baixa liquidez, aumentando o risco das operações.

A Polícia Federal identificou indícios de um esquema que envolvia a emissão de títulos sem lastro, operações simuladas e a ocultação de recursos através de empresas intermediárias, sugerindo uma estrutura organizada de fraude. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação da instituição devido à deterioração financeira e a infrações regulatórias, encerrando suas atividades.

No mesmo mês, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar para Dubai, mas foi liberado sob monitoramento eletrônico. Em março deste ano, ele foi detido novamente durante uma nova fase das investigações, que agora incluem corrupção de autoridades, lavagem de dinheiro e intimidação de jornalistas, revelando conexões com figuras do Banco Central, do Congresso e do Judiciário.

Na decisão, o juiz Grossman destacou que as investigações estão em conformidade com a legislação brasileira e as normas dos EUA sobre insolvência transnacional. Ele afirmou que o modelo permite uma investigação abrangente para proteger credores e evitar a dissipação de ativos. A defesa de Vorcaro argumentou que as intimações eram excessivas e violavam direitos de privacidade, mas o juiz considerou os argumentos insuficientes.

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