A seleção japonesa, que se classificou para a segunda fase da Copa do Mundo de 2026 após empatar com a Suécia, enfrenta um desafio que vai além das quatro linhas. O Japão, quarta maior economia do mundo, é um caso estudado por economistas devido a suas dificuldades econômicas que se arrastam por três décadas.
Apesar de ser um líder global em inovação e produção de bens de alta tecnologia, o Japão tem enfrentado um crescimento econômico modesto e desafios estruturais. Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador do Peterson Institute for International Economics, aponta que esse cenário começou a se delinear após o colapso das bolhas imobiliária e do mercado de ações entre os anos 1980 e 1990.
Desde então, o país entrou em um longo período de baixo crescimento e inflação muito baixa, com momentos de deflação. A baixa taxa de natalidade e o envelhecimento acelerado da população têm pressionado o mercado de trabalho e as contas públicas.
Esse fenômeno é conhecido como "Japanificação", que descreve economias que convivem com crescimento fraco e inflação persistentemente baixa. Contudo, nos últimos anos, a inflação no Japão começou a se aproximar da meta do Banco do Japão, permitindo uma mudança na política de juros.
Atualmente, a taxa básica de juros está em 1% ao ano, e Kirkegaard acredita que o Japão pode estar se encaminhando para um cenário de pressões sustentadas de salários e preços.
Apesar das melhorias, o Japão ainda apresenta características que o tornam um caso singular. Com uma das menores taxas de desemprego do mundo, de 2,5% em abril, e um PIB per capita de cerca de US$ 35,7 mil, o país continua a ser uma das economias mais inovadoras, ocupando a 12ª posição no Global Innovation Index.
Entretanto, a economia japonesa cresce apenas 1% ao ano, em média, há cerca de 30 anos, o que leva pesquisadores a considerá-la um "quebra-cabeça econômico". A demografia do país, com quase 30% da população acima de 65 anos em 2026, e a taxa de fertilidade em 1,2 filho por mulher, agravam a situação.
A dívida pública, embora em queda gradual, deve permanecer acima de 200% do PIB em 2026, refletindo as escolhas do governo em financiar despesas com aposentadorias e saúde por meio da emissão de dívida.
As empresas japonesas, diante de um mercado interno encolhido, têm buscado crescimento no exterior, aumentando investimentos em propriedade intelectual e pesquisa. No mercado de trabalho, o setor de serviços, que representa cerca de 70% do valor agregado da economia, enfrenta dificuldades para contratar.
Os desafios de produtividade variam entre setores, com a indústria manufatureira avançando em inovação, enquanto os serviços voltados ao mercado doméstico apresentam evolução mais lenta. O economista Kyoji Fukao destaca que a segurança no emprego e a resistência a mudanças nos modelos de gestão dificultam o crescimento da produtividade.