O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o Exército israelense irá expandir a 'zona-tampão' no Líbano. A afirmação ocorreu após o Ministro da Defesa, Israel Katz, manifestar a intenção de controlar uma área de 30 km no sul do país.
Essas declarações indicam uma escalada na ofensiva terrestre de Israel no Líbano, gerando preocupações sobre uma possível invasão em larga escala. Israel justifica a criação e expansão dessa 'zona de segurança' como uma medida para proteger sua população do Hezbollah, grupo extremista libanês.

A área em questão se estenderia até as proximidades do rio Litani, localizado cerca de 30 km ao norte da fronteira com Israel. Recentemente, Israel destruiu ao menos cinco pontes na região do rio Litani.
As hostilidades entre Israel e o Hezbollah foram reativadas em março, em meio ao contexto da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, aliado do Hezbollah. O conflito resultou na deslocação de mais de 1,2 milhão de libaneses.
Historicamente, Israel já estabeleceu zonas-tampão no Líbano, como durante a invasão de 1982, quando manteve uma faixa de 10 a 20 km até sua retirada em 2000. Em 2006, a ONU criou a Resolução 1701, que utilizou o rio Litani como referência para estabelecer uma zona-tampão e um cessar-fogo, mas Israel acusa o Hezbollah de não cumprir a resolução.
Definição de zona-tampão
Uma zona-tampão é uma área que visa separar fisicamente potências adversárias, conforme descrito pelo ScienceDirect. Ela pode ser desmilitarizada ou ter presença armada de um ou ambos os lados do conflito, podendo ser temporária ou permanente.
Um exemplo de zona-tampão permanente é a zona desmilitarizada da Coreia, que separa a Coreia do Norte da Coreia do Sul. Embora o termo 'zona-tampão' não tenha uma definição oficial, ele é amplamente utilizado no contexto político-militar e é indiretamente regulado por leis internacionais.
Para ser considerada legítima, uma zona-tampão deve ser resultado de um acordo entre as partes envolvidas e respeitar a soberania dos Estados. No caso da zona-tampão proposta por Israel no Líbano, seria necessário o consentimento do Líbano.
Impactos do conflito
Desde o início do conflito, o Exército israelense tem realizado bombardeios diários no Líbano, resultando em mais de mil mortes e na evacuação de mais de um milhão de pessoas. A população local vive em constante temor.
Uma das famílias afetadas, a de Abbas Qasem, relatou a destruição total de sua casa em um ataque recente. Outro refugiado, Moustapha Khairallah, expressou sua angústia ao ser forçado a deixar sua residência devido aos ataques.
O ministro da Defesa israelense advertiu que os moradores do sul do Líbano que deixaram suas casas não devem retornar até que a segurança dos residentes do norte de Israel esteja garantida.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o 'modelo de Gaza não deve ser replicado no Líbano', pedindo que o Hezbollah cesse os ataques contra Israel e que Israel interrompa suas operações militares que afetam civis.