O governo de Israel anunciou nesta segunda-feira (15) que suas tropas permanecerão por tempo indeterminado nas áreas ocupadas do sul do Líbano, mesmo após o recente acordo de paz mediado pelos Estados Unidos e Irã. A decisão gerou reações negativas tanto de membros do governo de Binyamin Netanyahu quanto de líderes da oposição, que questionam a eficácia do entendimento para garantir a segurança do país.
O conflito no Líbano se intensificou após o Hezbollah, grupo extremista aliado ao Irã, atacar Israel. Em resposta, Tel Aviv lançou uma ofensiva militar, resultando na ocupação do sul libanês e no deslocamento de cerca de um milhão de pessoas.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, destacou que a manutenção do controle territorial é uma das principais conquistas da campanha militar. Ele afirmou que os moradores das áreas ocupadas serão obrigados a desocupar as zonas e que a infraestrutura do Hezbollah será destruída, incluindo a demolição de casas utilizadas como postos de ataque.
Katz também alertou que Israel reagirá com "força total
caso o Irã ataque em retaliação à campanha militar israelense no Líbano.
Não abriremos mão do interesse supremo de segurança de Israel e da proteção de nossos cidadãos", declarou.
O Exército do Líbano, por sua vez, pediu aos moradores deslocados que adiem o retorno às suas casas, citando o
risco de violações e ataques por parte de Israel
.
Um membro do Hezbollah afirmou que o grupo não realizou operações desde o anúncio do acordo, ressaltando que sua posição em relação ao cessar-fogo depende do cumprimento do acordo por parte de Israel. Relatos indicam disparos de artilharia em cidades do sul do Líbano e a presença de um drone sobre Beirute.
Críticas Ao Acordo Também Surgiram De Líderes Israelenses
Críticas ao acordo também surgiram de líderes israelenses. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, considerou o entendimento com o Irã como negativo e defendeu uma intensificação das operações no Líbano. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, afirmou que Israel não deve aceitar menos do que o desmantelamento completo do Hezbollah.
A oposição também se manifestou contra o acordo. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett classificou a situação como uma
guinada perigosa para a segurança de Israel
, enquanto Yair Golan, líder do partido Democratas, argumentou que o acordo anula os ganhos militares obtidos durante a guerra.
Os detalhes do acordo de paz ainda não foram divulgados, mas o fim dos ataques no Líbano sempre foi uma exigência do Irã. A assinatura do pacto está prevista para sexta-feira, em Genebra, e deve incluir a reabertura do estreito de Hormuz e o fim do bloqueio aos portos iranianos.