Em meio a um aumento nas tensões no Oriente Médio, Israel e Irã demonstraram, nesta segunda-feira (8), a intenção de interromper a escalada militar que havia se intensificado no fim de semana. A mudança de postura dos dois países ocorreu após um apelo público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pediu que ambos cessem os ataques e afirmou que um acordo para encerrar o conflito está ao alcance.
Trump, em postagens na rede Truth Social, enfatizou que
Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente
. Em uma mensagem anterior, ele mencionou que as negociações estavam progredindo, embora pudessem ser afetadas por "ignorância ou estupidez".
Após a declaração de Trump, o comando das Forças Armadas do Irã anunciou a suspensão dos ataques contra Israel, mas alertou que responderá com ações "muito mais duras e contundentes" se os bombardeios israelenses no Líbano forem retomados. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reafirmou o compromisso de Teerã com a diplomacia, mas destacou que o país não se intimidará diante de ameaças.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, informou que Teerã está em comunicação com Washington, embora em um clima de "extrema desconfiança". Por sua vez, Israel não fez um pronunciamento oficial sobre as novas declarações, mas fontes do governo israelense relataram que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu ordenou a suspensão dos preparativos para um novo ataque ao Irã em resposta à pressão de Trump.
Na manhã de segunda-feira, Israel havia atacado uma usina petroquímica no sudoeste do Irã, alegando que era utilizada para a produção de mísseis balísticos. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã retaliou com um ataque a uma instalação em Haifa, Israel. Desde domingo (7), o Irã disparou cerca de 30 mísseis balísticos, levando Israel a emitir alertas de ataques aéreos e a fechar escolas em todo o país.
Explosões também foram relatadas em Teerã, onde a agência Mehr informou que as defesas aéreas iranianas derrubaram um drone sobre a capital. Não houve relatos imediatos de vítimas ou danos significativos. Os aeroportos iranianos suspenderam voos até novo aviso.
A troca de ataques se intensificou após bombardeios israelenses contra alvos do Hezbollah em Beirute no fim de semana. O Irã tem insistido que qualquer acordo com Washington para encerrar o conflito deve incluir a interrupção das operações militares israelenses no Líbano.
Israel, que não interrompeu sua campanha militar no Líbano, argumenta que a questão deve ser tratada separadamente de qualquer cessar-fogo com o Irã. O Hezbollah, por sua vez, declarou que não entregará suas armas enquanto Israel não encerrar suas operações e se retirar do território libanês.
Além disso, os houthis do Iémen, aliados do Irã, anunciaram a proibição da navegação de embarcações israelenses pelo mar Vermelho e reivindicaram o primeiro ataque com mísseis contra Israel desde o cessar-fogo de abril. Segundo militares israelenses, dois mísseis foram disparados a partir do Iémen nas últimas horas.