Uma recente inspeção do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) revelou irregularidades significativas na administração da ex-prefeita de Boa Ventura, Talita Lopes Arruda, que ocupou o cargo entre 2021 e 2024. Em um parecer datado de 2 de julho de 2026, o Ministério Público de Contas (MPC) considerou procedente a denúncia e recomendou a imputação de um débito de R$ 740.041,84 à ex-gestora.
Entre os principais problemas identificados, destaca-se a manutenção de grandes quantias em dinheiro vivo na tesouraria municipal, que ultrapassou R$ 517 mil em maio de 2024. Além disso, o MPC apontou dificuldades na fiscalização, uma vez que a equipe técnica foi impedida de acessar o cofre municipal por mais de 24 horas, necessitando de intervenção do Ministério Público Estadual e autorização judicial para o arrombamento.
A auditoria também revelou a retirada de recursos das contas bancárias oficiais para manutenção em espécie na tesouraria, além da presença de cheques assinados em branco. O prejuízo ao erário, resultante da não aplicação financeira dos valores mantidos em espécie, foi estimado em R$ 13.539,93.
Outro aspecto alarmante foi a identificação de R$ 726.501,91 em despesas não comprovadas. Embora a defesa tenha apresentado documentos e declarações de credores, o MPC considerou que as evidências não eram suficientes para validar a realização dos serviços ou fornecimento dos produtos.
Durante a análise da defesa, o TCE-PB afastou algumas acusações, incluindo uma relacionada à duplicidade de pagamentos, atribuída a falhas no sistema contábil. Contudo, as questões sobre o dinheiro em espécie, o embaraço à fiscalização e a falta de comprovação das despesas permaneceram.
O MPC também recomendou o envio de cópias dos autos ao Ministério Público Estadual para a consideração de possíveis ações nas esferas cível e criminal. O total de R$ 740.041,84 é a soma das despesas não comprovadas e do prejuízo pela não aplicação financeira dos recursos.
As conclusões do parecer do MPC ainda não representam uma decisão final do TCE-PB, que deverá analisar o processo e determinar as responsabilidades e medidas a serem adotadas.
Fonte: Centralvalenoticia