Uma iraniana foi condenada a dez penas de qisas, a punição prevista pela legislação do Irã para homicídios, após ser responsabilizada pela morte de 11 homens ao longo de cerca de 20 anos. Kolthoum Akbari, que estabelecia relacionamentos temporários com suas vítimas, recebeu também uma pena de dez anos de prisão por uma tentativa de homicídio.
A diferença entre o número de mortes e as condenações se deve ao fato de que dez famílias das vítimas exigiram o qisas, enquanto os parentes de um homem optaram por aceitar uma compensação financeira, conhecida como diya. O caso foi revelado em 2023, quando investigações começaram a conectar mortes que antes eram tratadas como isoladas.
Akbari se relacionava principalmente com homens mais velhos, estabelecendo casamentos temporários, conhecidos como sigheh. As vítimas, que viviam em diferentes cidades da província de Mazandaran, eram frequentemente idosos e apresentavam problemas de saúde, o que dificultou a identificação de padrões nas mortes.
As investigações revelaram que Akbari utilizava medicamentos e substâncias para debilitar suas vítimas antes de assassiná-las, em alguns casos sufocando-as. Em uma declaração, ela afirmou:
Não sei quantos matei. Não me lembro exatamente. Eu os dopava e depois usava uma toalha.
Um homem que sobreviveu a um ataque de Akbari foi fundamental para a investigação. Ele desconfiou de uma bebida estranha e conseguiu reagir quando ela tentou sufocá-lo, levando a uma reavaliação de mortes anteriores que apresentavam semelhanças.
As investigações também levantaram a hipótese de motivação financeira, uma vez que os relacionamentos envolviam dotes e bens. No entanto, a defesa de Akbari contestou essa interpretação, alegando que não havia provas de transferências de patrimônio e que ela apresentava problemas psiquiátricos.
A Justiça de Mazandaran confirmou a condenação de Akbari a dez penas de qisas e a dez anos de prisão pela tentativa de homicídio. No sistema judicial iraniano, as famílias das vítimas podem optar por exigir o qisas ou aceitar uma compensação financeira.
Fonte: Noticiasaominuto