A tensão na região do Mar Vermelho se intensifica com o Irã elevando suas ameaças sobre rotas essenciais para o comércio global. Esses corredores, que incluem o Canal de Suez e os estreitos de Bab-el-Mandeb e Ormuz, são responsáveis por cerca de um terço do fluxo mundial de petróleo.
Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense e pesquisador de Harvard, compara a situação atual a momentos críticos do passado, como o choque do petróleo de 1973 e a Guerra do Golfo. Ele observa que a intensificação da guerra pode nos aproximar de choques semelhantes aos das décadas de 1970.
O Estreito de Ormuz é um dos principais focos de tensão, com o Irã restringindo a passagem de embarcações e cobrando pedágios. Em resposta, o presidente Donald Trump ameaçou atacar navios iranianos, criando um cenário de bloqueio mútuo.
O Estreito de Bab-el-Mandeb também enfrenta pressão, com constantes ameaças de ataques. Este estreito é vital para o acesso ao Canal de Suez, e sua interrupção afetaria diretamente o fluxo logístico da região.
A Arábia Saudita, para mitigar a dependência do Estreito de Ormuz, investiu em um oleoduto que transporta petróleo do Golfo até o Mar Vermelho. No entanto, essa alternativa não elimina os riscos, já que o petróleo ainda precisa passar pelo Bab-el-Mandeb.
Embora o Irã não controle diretamente o Mar Vermelho, exerce influência por meio de aliados no Iêmen, como os Houthis, que têm capacidade de interferir no fluxo marítimo. Brustolin menciona que os Houthis já fecharam o Estreito de Bab-el-Mandeb em resposta a conflitos regionais.
A atuação dos Houthis é parte de uma estratégia mais ampla do Irã, que inclui apoio a grupos aliados na região, como o Hezbollah e o Hamas, formando o que é conhecido como 'arco da resistência'.