O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a retirada das tropas israelenses do Líbano é uma condição essencial para o fechamento de um acordo de paz com os Estados Unidos. Segundo Araghchi, sem essa desocupação, o conflito na região não encontrará uma solução definitiva.
O Hezbollah, grupo libanês aliado ao Irã, confirmou que recebeu garantias do governo iraniano sobre essa exigência. Um porta-voz do Hezbollah declarou que o Irã irá insistir na retirada das forças israelenses durante as próximas conversas com os EUA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou as ações militares de Israel em Beirute, descrevendo os bombardeios como cruéis. Durante a cúpula do G7, Trump pediu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que agisse com mais responsabilidade, expressando sua irritação com os ataques que ameaçam uma trégua de 60 dias negociada por ele.
Líderes europeus manifestaram preocupação com a fragilidade do plano de paz e a falta de detalhes sobre o acordo, reclamando da exclusão das negociações lideradas pelos EUA, mesmo após terem assinado o pacto nuclear anterior em 2015.
O plano em discussão inclui a criação de um fundo de investimento de US$ 300 bilhões para o Irã, proveniente de países do Golfo Pérsico, como um incentivo para que Teerã desmonte seu programa nuclear. O vice-presidente americano, JD Vance, condicionou a liberação desses recursos ao fim do programa nuclear iraniano, exigindo a eliminação do estoque de urânio enriquecido e inspeções internacionais rigorosas.
O acordo enfrenta resistência de conservadores americanos e de Israel, que se opõem ao alívio das sanções sobre o petróleo iraniano. A proposta permitiria que o Irã cobrasse taxas de serviços marítimos no Estreito de Ormuz após 60 dias de trégua.
Enquanto as negociações prosseguem, ataques aéreos israelenses continuam a causar mortes de civis no Líbano. Um recente bombardeio na aldeia de Mayfadoun resultou na morte de pelo menos quatro pessoas, conforme relatado pela imprensa local.
Além do fundo bilionário, o Irã busca recuperar metade de seus ativos congelados no exterior, totalizando cerca de US$ 24 bilhões, incluindo US$ 8 bilhões retidos no Qatar. Fontes de Teerã afirmam que o texto do acordo preserva o direito do Irã de enriquecer urânio em seu território, estabelecendo a redução da pureza do estoque atual para 3,67%, um nível considerado adequado apenas para uso civil.