A Polícia Federal está investigando um esquema de garimpo ilegal em Roraima, que envolve contrabando de diamantes e lavagem de dinheiro. No centro das apurações está o empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do ex-governador Antonio Denarium, que supostamente faz parte do núcleo financeiro de atividades clandestinas de mineração na Amazônia.
As investigações indicam que os recursos movimentados pelo grupo podem ter origem em práticas ilegais de mineração, que há anos causam destruição ambiental, conflitos armados e crises humanitárias em comunidades indígenas da região Norte do Brasil. Roraima se destaca como um dos principais focos de garimpo ilegal, especialmente nas proximidades da Terra Indígena Yanomami.
Autoridades federais relatam que organizações criminosas estruturaram cadeias clandestinas de exploração mineral, que incluem financiamento, transporte aéreo irregular, lavagem de dinheiro e comercialização ilegal de ouro, cassiterita e diamantes. A atividade garimpeira tem gerado impactos ambientais severos, com imagens de satélite mostrando desmatamento em áreas de floresta preservada e a destruição de cursos d'água.
Além disso, o uso de mercúrio na extração mineral tem contaminado rios e comunidades, afetando a saúde de populações locais. Especialistas alertam que os danos ambientais podem levar décadas para serem revertidos.
O aumento do garimpo ilegal também está associado ao crescimento da violência em áreas remotas, com relatórios indicando a presença de facções criminosas, tráfico de armas e exploração sexual. Comunidades indígenas têm enfrentado invasões e ameaças, além da destruição de seus territórios tradicionais.
A Polícia Federal identificou que Fabrício de Souza Almeida está vinculado a empresas que realizam movimentações financeiras incompatíveis com suas atividades. As investigações revelaram saques em espécie e transferências pulverizadas, além de apreensões de equipamentos utilizados no garimpo e registros de transporte de minério.
As operações da PF, em conjunto com o Ibama, Funai e Forças Armadas, têm intensificado o combate ao garimpo ilegal, com ações que incluem a destruição de pistas clandestinas e apreensão de aeronaves. No entanto, a vasta extensão territorial da Amazônia e a alta lucratividade do crime dificultam o enfrentamento contínuo das organizações atuantes na região.
As investigações continuam em busca de identificar toda a estrutura financeira e operacional que sustenta o mercado clandestino de diamantes e outros minerais extraídos ilegalmente em Roraima.
Fonte: Metropoles