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Investigação da PF envolve ex-secretário do STJ e advogado próximo a Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal realiza buscas relacionadas a Humberto Pradera, ex-secretário do STJ, suspeito de vazar dados a Willer Tomaz, advogado de Flávio Bolsonaro. A investigação apura lavagem de dinheiro e outros crimes.
Foto: Reprodução / UOL Notícias

A Polícia Federal executou um mandado de busca em um imóvel associado a Humberto Pradera, que foi secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele é investigado por supostamente repassar informações sigilosas a Willer Tomaz, advogado próximo ao senador Flávio Bolsonaro.

As investigações estão centradas em suspeitas de lavagem de dinheiro que envolvem tanto Flávio quanto Willer. Pradera foi exonerado de seu cargo na última sexta-feira, antes da operação da polícia.

Durante a análise do celular de Willer Tomaz, a PF encontrou uma imagem de um documento em elaboração no STJ, que teria sido enviado por Pradera. Esse achado é considerado um indício de possível vazamento de informações do tribunal.

A investigação teve início na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, a partir de indícios de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, relacionados ao uso de casas de apostas.

Os dados do celular de Willer também revelaram e-mails que sugerem que Flávio Bolsonaro era o usuário principal de uma conta bancária vinculada a uma empresa do advogado. Além disso, foram encontrados registros de encontros entre os dois e pagamentos de viagens ao senador, levando os investigadores a questionar a compatibilidade da movimentação financeira de Willer com suas atividades econômicas.

O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao envolvimento de Flávio Bolsonaro, que possui foro privilegiado. O ministro Alexandre de Moraes é o relator da matéria. A operação busca aprofundar a investigação sobre possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato eletrônico e violação de sigilo funcional.

Flávio Bolsonaro também é alvo de outra investigação no STF, que examina o financiamento do filme 'Dark Horse', que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvendo recursos de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.

O Superior Tribunal de Justiça informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades e está conduzindo procedimentos administrativos para investigar possíveis infrações relacionadas ao vazamento de informações.

A defesa de Willer Tomaz refutou as alegações de acesso irregular a decisões judiciais ou pareceres do Ministério Público Federal, afirmando que o advogado não interferiu nas manifestações do órgão. Eles também criticaram a divulgação de informações durante o período eleitoral, especialmente por envolver pessoas que, segundo a defesa, não estão ligadas aos fatos investigados.

Por sua vez, a defesa de Flávio Bolsonaro enfatizou que a relação entre o senador e Willer Tomaz é de amizade, classificando como infundadas as tentativas de associar essa amizade a possíveis irregularidades. Eles negaram que Flávio tenha mantido conta bancária na qual o advogado ou empresas relacionadas a ele fossem usuários principais.

As investigações seguem em curso, e as suspeitas levantadas pela Polícia Federal ainda precisam ser analisadas pelas autoridades competentes, não constituindo, por si só, uma condenação dos envolvidos.

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