A Polícia Federal identificou o Bololô Restaurant & Bar, associado ao cantor MC Ryan SP, como um centro de arrecadação utilizado pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavagem de dinheiro. Documentos da investigação revelam que o estabelecimento misturava receitas ilícitas com faturamento legítimo, criando uma fachada de legalidade para suas operações.
O local funcionava como um ponto de coleta de valores, onde era feita a arrecadação de uma mensalidade conhecida como 'cebola'. A investigação aponta que a empresa recebia depósitos frequentes, incluindo valores fracionados para dificultar o rastreamento pelas autoridades, além de transferências de outros investigados, como a empresa Buzeira Digital.
A avó do cantor, Vera Lúcia Santana, e seu companheiro, Tiago de Oliveira, foram identificados como 'laranjas' no esquema, utilizados para ocultar o controle real e a origem dos recursos. Vera assumiu a sociedade do restaurante após o cantor ser alvo de investigações relacionadas ao PCC e rifas ilegais.
Entre abril de 2024 e outubro de 2025, o restaurante movimentou mais de R$ 30 milhões, com uma média mensal superior a R$ 1,4 milhão. Durante esse período, a empresa transferiu R$ 257,4 mil a Tiago em menos de dois meses, sendo ele considerado uma liderança do esquema.
Apesar das irregularidades, o restaurante operava normalmente, o que ajudava a manter a aparência de legalidade. O dinheiro, após passar pelo caixa do estabelecimento, era redistribuído com aparência lícita. A Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal, resultou na prisão de MC Ryan SP e outros envolvidos, além do bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens relacionados aos investigados.
Fonte: Metropoles