No Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, o serviço de Hemodinâmica tem se destacado pela implementação de práticas inovadoras voltadas à reabilitação de pacientes com condições neurológicas. Entre essas práticas, destaca-se o protocolo de eletroestimulação neurofuncional, uma abordagem terapêutica fundamentada em evidências científicas que visa auxiliar na recuperação motora e na prevenção de complicações associadas à imobilidade prolongada, especialmente em casos de acidente vascular cerebral (AVC).
O protocolo envolve a aplicação de correntes elétricas do tipo Estimulação Elétrica Funcional (FES) no sistema nervoso e muscular, utilizando parâmetros terapêuticos previamente definidos. Essa técnica é aplicada em pacientes com alterações motoras de origem neurológica, incluindo aqueles que estão sob ventilação mecânica. A eletroestimulação ajuda a prevenir a fraqueza muscular adquirida durante a internação e pode ser utilizada até mesmo em pacientes sedados, desde que não haja contraindicações.
A aplicação do protocolo é realizada por fisioterapeutas intensivistas que atuam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e na enfermaria da Hemodinâmica. A indicação do tratamento é feita após uma avaliação diária, garantindo a segurança e a adequação clínica, além de objetivos terapêuticos personalizados para cada paciente.
Henrique Veras, coordenador de Fisioterapia do serviço, explica que a implantação do protocolo visa padronizar e qualificar o tratamento para pacientes com alterações neurológicas e funcionais. Ele destaca que a iniciativa tem promovido maior segurança e eficácia terapêutica, resultando em melhorias significativas durante o período hospitalar.
Um exemplo de sucesso é o caso de dona Severina da Silva, que sofreu um AVC e, após ser acompanhada pela equipe da Hemodinâmica, conseguiu receber alta hospitalar. Sua filha, Maria José da Silva, relata que, inicialmente, a paciente não conseguia mover os dedos das mãos, mas, com o tratamento, agora consegue ficar em pé e até andar.
Além dos pacientes com AVC, a eletroestimulação neurofuncional pode beneficiar indivíduos que passaram por procedimentos de embolização e apresentam sequelas neurológicas, aqueles com fraqueza muscular significativa, pacientes restritos ao leito ou em risco de atrofia muscular, e aqueles que utilizam ventilação mecânica com indicação clínica para o tratamento.
Os benefícios da técnica incluem o ganho e a manutenção da força muscular, estímulo à neuroplasticidade, facilitação do reaprendizado motor, auxílio na recuperação da marcha, além de melhorias no equilíbrio e na mobilidade. Veras ressalta que a eletroestimulação ajuda os pacientes a recuperar movimentos e funções comprometidas por doenças neurológicas, cirurgias ou longos períodos de imobilização.
A equipe do serviço considera a implementação do protocolo um avanço significativo na assistência a pacientes neurológicos em reabilitação funcional. A adoção de tecnologias terapêuticas modernas e baseadas em evidências científicas fortalece a organização dos cuidados, estimula a recuperação precoce e reduz complicações associadas às sequelas neurológicas, promovendo maior independência funcional e qualidade de vida.
Fonte: Paraiba