Pesquisadores da University College London (UCL) descobriram que a imunoterapia administrada antes da cirurgia pode diminuir o risco de retorno do câncer colorretal. O estudo acompanhou 32 pacientes que receberam tratamento por nove semanas antes da operação para remoção do câncer de cólon.
O medicamento utilizado ajuda o sistema imunológico a identificar e atacar as células cancerígenas. Após quase três anos de acompanhamento, nenhum dos participantes apresentou recidiva da doença. Os pacientes incluídos no estudo estavam em estágios 2 ou 3 do câncer, fases em que a condição pode ser tratada com intenção curativa, mas que ainda apresentam risco de retorno.
As células tumorais acumulam alterações no DNA que funcionam como 'sinais de alerta' para o sistema imunológico, facilitando o reconhecimento e combate ao câncer pela imunoterapia. Contudo, os resultados não se aplicam a todos os casos de câncer de cólon ou reto, mas apenas a um grupo específico de pacientes.
Tradicionalmente, os pacientes realizam a cirurgia primeiro e, posteriormente, podem passar por meses de quimioterapia para reduzir a chance de recidiva. A imunoterapia, por sua vez, atua ajudando o corpo a reconhecer melhor o tumor, ao contrário da quimioterapia, que ataca células em rápida multiplicação.
No estudo, o pembrolizumabe foi administrado antes da cirurgia, em uma abordagem chamada tratamento neoadjuvante. Os resultados mostraram que tanto os pacientes cujo tumor desapareceu completamente quanto aqueles com vestígios da doença não apresentaram crescimento ou disseminação do câncer durante o acompanhamento.
Cerca de 25% dos pacientes tratados com cirurgia seguida de quimioterapia podem ter retorno do câncer em até três anos, segundo a UCL. No grupo estudado, isso não ocorreu até o momento.
Os cientistas também analisaram amostras de sangue para entender a eficácia do tratamento e identificar quais pacientes poderiam se beneficiar mais. Exames personalizados foram desenvolvidos para detectar a presença de DNA tumoral no sangue. A ausência desse DNA estava associada a maiores chances de os pacientes permanecerem livres da doença.
Os pesquisadores acreditam que esses testes podem ajudar a monitorar a resposta ao tratamento de forma mais rápida e precisa, permitindo personalizar as intervenções. Pacientes com boa resposta à imunoterapia poderiam necessitar de menos intervenções, enquanto aqueles com maior risco de progressão poderiam receber terapias adicionais.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que o estudo é preliminar, envolvendo apenas 32 pacientes com perfis genéticos semelhantes. Portanto, os achados não são generalizáveis a todos os casos de câncer colorretal, embora enfatizem a importância do diagnóstico precoce e da análise das características tumorais.