A saúde mental dos médicos, especialmente na oncologia, é um tema de grande relevância, conforme abordado na 11ª edição do Congresso Internacional Oncologia D’Or, realizado no Rio de Janeiro. A psicóloga Erika Pallottino, da PUC-Rio, destacou que o luto pelo paciente é uma reação legítima e necessária, apesar da formação médica muitas vezes promover um distanciamento emocional.
Pallottino, especialista em psicologia em oncologia pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), afirmou que a formação médica tradicional prioriza a objetividade e o controle emocional, mas o luto é uma resposta natural à perda de vidas. A oncologista Clarissa Baldotto, que também participou do evento, reforçou a importância de discutir a saúde mental desde a formação dos médicos, observando que, embora o tema tenha ganhado mais atenção, ainda há espaço para melhorias.
A confusão entre luto e burnout é um desafio adicional. Enquanto o luto é uma resposta emocional à perda, o burnout é uma condição de exaustão física e mental devido ao estresse prolongado. Pallottino alertou que o luto não tratado pode evoluir para burnout, tornando essencial a normalização do luto entre os profissionais de saúde.
Para melhorar a saúde mental dos oncologistas, é fundamental criar redes de apoio e acolhimento, além de considerar a terapia como uma opção. Pallottino concluiu que cuidar da saúde mental dos médicos é vital não apenas para o bem-estar deles, mas também para garantir a qualidade do atendimento aos pacientes.