O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) efetuou a detenção de mais de 10 mil imigrantes em um intervalo de cinco dias, conforme revelado por documentos internos e relatos de funcionários federais. A ação foi impulsionada por uma orientação da direção do ICE para intensificar as operações de busca e apreensão de indivíduos que estão em processo de deportação.
Fontes indicam que a pressão para aumentar o número de detenções veio da Casa Branca. As operações de detenção ocorreram em diversas situações, incluindo entrevistas obrigatórias com autoridades de imigração, abordagens em fiscalizações de trânsito e ações em vias públicas. Anteriormente, o ICE realizava cerca de mil prisões diárias, mas a nova meta interna é de aproximadamente 2 mil detenções por dia, um ritmo que foi alcançado recentemente.
Diferentemente de operações anteriores, que costumavam ser amplamente divulgadas, essa nova ofensiva foi conduzida de maneira mais discreta, sem anúncios públicos ou mobilizações visíveis. Essa estratégia se alinha à política de deportações em larga escala defendida pelo presidente Donald Trump durante sua campanha para o segundo mandato.
Uma estimativa divulgada em maio deste ano aponta que entre 2 mil e 3 mil crianças tiveram pais brasileiros detidos pelo ICE, considerando apenas o segundo mandato de Trump. Dados do Brookings Institution revelam que mais de 205 mil menores foram separados de seus pais, sendo que ao menos 145 mil são cidadãos norte-americanos. A maioria das crianças afetadas pertence a famílias latino-americanas, com um número significativo de mexicanos, guatemaltecos e hondurenhos.
Além disso, 22 mil crianças estão em uma situação ainda mais crítica, pois ficaram sem nenhum dos pais em casa devido à detenção de ambos ou do único responsável. Um em cada três menores afetados tem menos de seis anos.