Um novo relatório da Human Rights Soccer Alliance destaca que o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) tem intensificado suas ações em eventos de futebol, utilizando o esporte como uma estratégia para deter imigrantes. Desde o início de 2025, 17 pessoas ligadas ao futebol, incluindo jogadores, treinadores e pais de atletas, foram detidas, com algumas delas já deportadas.
O documento, divulgado na semana passada, aponta que o ICE tem focado em eventos de futebol devido à popularidade do esporte entre as comunidades latino-americanas, em contraste com a preferência dos norte-americanos pelo futebol americano. A ONG expressa preocupação de que os agentes do ICE possam usar os jogos da Copa do Mundo como oportunidade para realizar detenções.
O futebol nos Estados Unidos está profundamente enraizado nas comunidades imigrantes. Por gerações, serviu como um espaço de pertencimento e expressão cultural. No entanto, as ações de fiscalização se estenderam a espaços centrais do futebol, incluindo escolas, parques e centros comunitários
, afirma o relatório.
O ICE não recebeu proibição para realizar prisões durante os jogos da Copa, e não há orientações oficiais para evitar detenções em estádios. Diante dessa situação, a Human Rights Soccer Alliance solicita que a FIFA proíba a aplicação da política anti-imigração do governo Trump em todos os locais da Copa do Mundo e que as equipes não cooperem com as autoridades de imigração, exceto em caso de mandado judicial.
O relatório documenta casos específicos, como o do jogador Emerson Colindres, deportado no dia de sua formatura em uma escola em Ohio, e dois jogadores detidos enquanto treinavam em Nova York. Outro caso mencionado é o de um imigrante deportado na porta do estádio MetLife, onde assistia à final do Mundial de Clubes da FIFA.
As cidades-sede dos jogos da Copa são consideradas especialmente sensíveis, com dados do governo indicando que, entre 20 de janeiro e 15 de outubro de 2025, o ICE prendeu 92.392 pessoas nessas localidades, um número acima da média.
Na quarta-feira (10), grupos de defesa dos direitos dos imigrantes se reuniram em frente à sede da FIFA em Miami para alertar sobre os riscos de novas ações do ICE e recomendaram que estrangeiros evitem viajar aos EUA para assistir aos jogos.
A ativista Yarelíz Méndez Zamora, do Comitê de Serviço dos Amigos Americanos, expressou preocupação com as detenções arbitrárias e a discriminação racial que podem ocorrer. O cineasta e ativista Billy Corben também alertou:
Se vocês ainda não embarcaram, mesmo com visto válido, não façam isso. Não venham
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