Atualmente, Irã e Estados Unidos estão envolvidos em uma nova disputa, focada na construção de narrativas, enquanto um cessar-fogo se mantém por duas semanas. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a liderança iraniana está "seriamente fragmentada", sugerindo que suspenderia ataques até que o Irã apresentasse uma proposta unificada para negociações de paz.
Trump reiterou suas afirmações, mencionando em uma rede social que o Irã enfrenta dificuldades para definir sua liderança. Ele descreveu a situação interna como uma "loucura", referindo-se à luta entre os "linha-dura" e os "moderados" dentro do regime iraniano.
Essas declarações coincidem com informações de veículos de comunicação dos EUA, que indicam que generais da Guarda Revolucionária estão no comando do país. A crise de poder no Irã se intensificou após um ataque conjunto de EUA e Israel que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei.
Após a morte de Khamenei, o Irã anunciou a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, embora ele tenha se ferido no ataque e esteja sob cuidados médicos. Desde então, não fez aparições públicas e se comunica apenas por declarações escritas.
A Guarda Revolucionária, que sempre teve um papel central no regime, é vista como a facção "linha-dura" que acredita na possibilidade de derrotar os EUA e Israel. Em contraste, os moderados, que incluem figuras como o presidente Masoud Pezeshkian e o chanceler Abbas Araghchi, têm visto sua influência diminuir.
Um exemplo dessa divisão foi a reação à declaração de Araghchi sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, que foi desautorizada por uma agência estatal ligada à Guarda Revolucionária. Além disso, o Irã designou o ex-general da Guarda, Mohammad Bagher Ghalibaf, como principal negociador nas conversas de paz.
Enquanto isso, o Irã nega a fragmentação de seu governo. O vice da área de comunicações do gabinete presidencial, Seyyed Mehdi Tabatabaei, afirmou que as alegações de desunião são falsas e parte de uma campanha de propaganda dos inimigos do país.
A imprensa estatal iraniana e o próprio Mojtaba Khamenei reforçaram a mensagem de unidade, afirmando que o país está vitorioso e unido, e que a operação midiática do inimigo visa prejudicar a segurança nacional.
O presidente Pezeshkian também se manifestou, afirmando que não existem divisões entre "linha-dura" e "moderados", enfatizando a unidade do povo iraniano em face das adversidades.