A pedagoga Nathália de Araújo Dutra, de 25 anos, viveu um momento crítico durante a reta final de sua gravidez. Moradora da Cidade Ocidental, em Goiás, ela apresentava uma gestação considerada de baixo risco até começar a sentir sintomas que, inicialmente, foram confundidos com desconfortos comuns da gestação. A situação se agravou e resultou em um infarto.
Os primeiros sinais incluíram uma azia persistente, que evoluiu para uma dor intensa no peito e outros sintomas clássicos de infarto.
Senti uma dor muito forte no peito, de ombro a ombro, como se tivesse malhado no dia anterior. A dor seguia para as costas e depois senti o formigamento no braço esquerdo
, relata Nathália.
O diagnóstico foi surpreendente.
Quando recebi a confirmação, não acreditei. Perguntei várias vezes se realmente tinha infartado, principalmente porque minha bebê ainda estava na barriga. Eu só pensava em sobreviver
, conta.
O infarto ocorreu com 37 semanas de gestação, um momento crítico que exigiu decisões médicas cuidadosas para garantir a saúde da mãe e do bebê. Nathália foi levada ao Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), onde a equipe médica decidiu realizar um cateterismo cardíaco, adotando medidas rigorosas para proteger o feto.
O infarto na gestação não é frequente e envolve riscos importantes. Nosso foco foi preservar a mãe e proteger o bebê, reduzindo ao máximo a exposição à radiação e ao contraste durante o procedimento
, explica o cardiologista intervencionista Raphael Lanza Passos.
Após o cateterismo, Nathália ficou internada na UTI por oito dias, com evolução clínica positiva. O parto ocorreu em seguida, e apesar do medo de perder os primeiros momentos com a filha, a bebê, chamada Jade, nasceu de parto normal no dia 1º de abril.
Senti uma felicidade fora do normal quando a ouvi chorar. Fiquei muito emocionada
, relembra Nathália.
A médica intensivista Teresa Tristão destaca a importância da atuação integrada de diferentes especialidades.
Foi um caso que exigiu planejamento e atuação multidisciplinar em todas as etapas. Conseguimos conduzir o tratamento com segurança e garantir um desfecho favorável para mãe e bebê
, afirma.
Atualmente, Nathália está em casa, sem sequelas, e continua em acompanhamento médico. Ela considera a experiência como um milagre e alerta outras gestantes sobre a importância do pré-natal.
Façam o pré-natal corretamente e desconfiem de qualquer sintoma exagerado. Mesmo com acompanhamento, aconteceu comigo
, diz.