A Polícia Federal (PF) está investigando o governador de Roraima, Edilson Damião, por sua suposta atuação como líder de um esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos na Secretaria Estadual de Infraestrutura. A apuração, que se intensificou após a prisão do empresário Clóvis Braz Pedra, revelou indícios de envolvimento de altos funcionários do governo estadual.
A investigação ganhou novos contornos com a análise de celulares apreendidos, levando a PF a solicitar o envio do caso ao Tribunal de Justiça de Roraima, devido à presença de uma autoridade com foro privilegiado. O tribunal confirmou a mudança de instância, reconhecendo indícios de participação de um agente público com prerrogativa de função.
No centro do esquema está a empresa C.B. Pedras Serviços e Construções Ltda., ligada a Clóvis Braz Pedra, que, segundo a PF, atuava como fachada para um esquema maior, vencendo licitações e firmando contratos públicos, enquanto a execução dos serviços seguia outra lógica. A investigação delineou uma clara divisão de papéis, com Clóvis como operador empresarial e o ex-chefe da Casa Civil, Disney Barreto Mesquita, responsável pelo fluxo financeiro e lavagem de dinheiro.
Edilson Damião, que ocupava simultaneamente os cargos de vice-governador e secretário de Infraestrutura, é apontado como o líder do esquema. A PF identificou saques em espécie que totalizam pelo menos R$ 1,7 milhão, sem justificativa plausível, além de contratos significativos da empresa C.B. Pedras com o governo, que ultrapassaram R$ 162,9 milhões entre 2021 e 2025.
Um aspecto crucial da investigação é a condução das licitações, que foram realizadas presencialmente, apesar da preferência legal por pregões eletrônicos. A justificativa apresentada por Damião visava favorecer empresas locais, mas os investigadores consideram que isso restringiu a concorrência e pode ter direcionado os contratos.
A análise dos celulares apreendidos revelou mensagens que indicam uma relação próxima entre Clóvis e Edilson Damião, com comunicações informais e, em alguns casos, consideradas críticas pelos investigadores. Em uma das mensagens, Clóvis questiona sobre a liberação de pagamentos, referindo-se à empresa como se fosse de sua propriedade.
Outro elemento importante é uma planilha de emendas parlamentares encontrada no celular de Clóvis, que continha o nome 'Clóvis' ao lado de uma obra pública, enviada por Damião meses antes da publicação do edital da licitação. Além disso, mensagens indicam que a empresa de Clóvis não executava os serviços contratados, funcionando como uma 'testa de ferro' para vencer licitações.
O caso segue sob sigilo, agora sob a supervisão do Tribunal de Justiça de Roraima, que decidirá sobre possíveis desdobramentos, incluindo a formalização de denúncias. O governador não respondeu aos contatos feitos pela coluna.
Fonte: Metropoles