O funeral público de Ali Khamenei, líder supremo do Irã, começou recentemente, quatro meses após sua morte, ocorrida em 28 de fevereiro, em decorrência de ataques dos Estados Unidos e Israel. O corpo de Khamenei foi mantido refrigerado para a cerimônia.
As práticas islâmicas geralmente proíbem o embalsamamento químico, levando as autoridades iranianas a optar pelo "cold storage" (armazenamento refrigerado) em vez de produtos químicos. O corpo foi mantido em morgues forenses refrigeradas, que possuem câmaras de alta capacidade e baixa temperatura, permitindo a preservação por meses.
Segundo Mohammed Omar, especialista em contraterrorismo, as morgues forenses no Irã já são utilizadas para manter corpos por longos períodos, e a preservação de Khamenei por quatro meses não é considerada incomum.
A cerimônia fúnebre se estenderá por várias cidades do Irã e do Iraque, com o sepultamento previsto para 9 de julho em Mashhad, cidade natal do líder. Khamenei não foi a única vítima dos ataques; vários de seus familiares também foram mortos, e seus corpos foram preservados nas mesmas instalações.
O atraso no funeral, que contraria a tradição islâmica de sepultamento rápido, deve-se a questões de segurança, já que o Irã enfrenta ameaças militares contínuas. Além disso, o país já vivenciou incidentes mortais em funerais de Estado, como o de Ruhollah Khomeini em 1989.
As autoridades passaram meses planejando a segurança e a logística do evento, que deve atrair milhões de pessoas. Embora o adiamento do sepultamento seja raro, a jurisprudência religiosa xiita permite essa exceção em situações de guerra ou ameaças à segurança.
A programação do funeral inclui exibições públicas em Teerã e uma procissão fúnebre, com estimativas de 15 a 20 milhões de participantes. A segurança do evento será coordenada pela milícia Basij e pela Guarda Revolucionária Islâmica.
Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido, assumiu como novo líder supremo do Irã. Ele não tem aparecido em público desde o início da guerra e sua ausência é vista como parte do esforço do regime para demonstrar estabilidade após a morte do pai. O funeral também servirá como um teste político para Mojtaba, que poderá consolidar sua autoridade durante a cerimônia.