A França experimentou uma queda nas temperaturas nesta segunda-feira, 29 de junho, após um período histórico de 11 dias de calor extremo. No entanto, o sistema de saúde do país permanece em alerta máximo devido ao impacto significativo da onda de calor, que resultou em mais de 1.300 mortes na Europa, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O serviço nacional de meteorologia anunciou o fim do alerta vermelho, classificando a onda de calor como a mais intensa já registrada no país. Apesar da melhora nas condições climáticas, 22 departamentos franceses ainda estão sob alerta laranja, o terceiro nível em uma escala de quatro, que indica um risco significativo e requer atenção das autoridades e da população.
Um caso trágico ilustra a gravidade da situação: um jovem de 25 anos faleceu após sofrer hipertermia dentro de um bonde em uma localidade próxima a Estrasburgo, na região da Alsácia. Ele foi socorrido em parada cardiorrespiratória, reanimado e levado ao hospital, mas não resistiu. A Justiça solicitou uma autópsia devido à idade da vítima.
No último sábado, 27 de junho, os bombeiros realizaram cerca de 350 atendimentos na região, o dobro do que é considerado normal. A pressão sobre os hospitais permanece alta, com um aumento de 20% nos atendimentos desde 18 de junho em comparação ao mesmo período do ano anterior. As chamadas ao SAMU também estão bem acima da média, embora as autoridades afirmem que o sistema ainda consegue atender à demanda.
A porta-voz do sindicato de médicos de emergência SUDF, Agnès Ricard-Hibon, destacou que o aumento nas ligações para emergência é expressivo, mas o sistema não chegou a um ponto de colapso.
Os profissionais estão sob muita pressão, mas o SAMU opera com um nível de atividade cerca de 50% a 60% acima do normal — afirmou.
Os médicos alertam que os efeitos da onda de calor podem se manifestar de forma tardia, com pacientes apresentando falência de órgãos nos dias seguintes. Eles recomendam que, ao surgirem sintomas como dor de cabeça, tontura ou confusão mental, as pessoas busquem atendimento médico imediatamente.
No âmbito político, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião de emergência para avaliar a situação e discutir medidas preventivas para futuros episódios de calor extremo. A onda atual reaviva memórias de 2003, quando cerca de 15 mil pessoas morreram na França devido ao calor.
As altas temperaturas também têm afetado outros países europeus, com a OMS relatando mais de 1.300 mortes acima da média desde 21 de junho. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que 150 milhões de pessoas estão vivendo sob condições de calor extremo, com escolas fechadas e redes elétricas sob pressão.
Embora as temperaturas estejam caindo no oeste europeu, especialistas alertam que os efeitos sanitários e sociais da onda de calor ainda devem se prolongar, exigindo que o continente se adapte rapidamente a uma nova realidade climática.