As mãos talentosas que cultivam a terra também criam peças delicadas de artesanato. Um exemplo disso é o da agricultora e artesã Josilene Andrade Leite que mostrou sua produção ao projeto “Mulheres do Agro Antes da Porteira”, promovido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB). A artesã expôs o seu trabalho durante a 9ª Festa da Cabra na Praça, evento realizado até esse sábado, dia 9, no município de São José dos Cordeiros. Ela ainda falou sobre a importância das exposições como vitrine para artesãs e agricultoras.
A 9ª Festa da Cabra integra o Circuito Paraíba Agronegócios e é uma realização da Prefeitura Municipal em parceria com o Governo da Paraíba, por meio da Sedap-PB.
De acordo com o secretário da Sedap-PB, Joaquim Hugo Vieira, o projeto “Mulheres do Agro Antes da Porteira” visa apresentar a produção das mulheres do campo, sejam agricultoras, artesãs ou tenham outro tipo de atividade produtiva.
É um espaço destinado a mostrar a força e o protagonismo das mulheres. A intenção é contar histórias de mulheres de talento e força de vontade para vencer os obstáculos que surgem nas suas trajetórias
, pontua.
Natural de São José dos Cordeiros, Josilene Andrade Leite trabalha criando peças feitas com crochê, linha e malha.
Eu tinha um sonho de fazer crochê. Eu comecei em 2014, através de uma amiga. Eu cheguei à casa dela e ela estava fazendo crochê. Eu fiquei observando e achando muito bonito. Aí eu falei para uma amiga em comum que queria aprender a fazer crochê
, revela. Essa amiga em comum contou sobre o desejo de Josilene Leite para a crocheteira Inácia Moura, que a procurou se dispôs a ensiná-la.
Daí Josilene, que já trabalhava desde cedo com os pais como agricultora, passou a aprender e a criar peças de artesanato e encontrou em Inácia Moura também uma amiga para a vida.
Eu comecei fazendo bico em toalha de prato e em cinco dias eu já estava desenvolvendo. O artesanato é uma terapia para a mente, para as mãos e um pouco mais de renda. O crochê era um sonho que eu tinha
, destaca.
As peças mais trabalhosas, com mais pontos de crochê próximos um do outro, podem levar até oito dias para serem concluídas.
Josilene Leite afirma que as exposições e feiras do agro são importantes para as artesãs e agricultoras.
Além de vender, aqui a gente divulga o produto. Através das exposições eu vendo muito. Mesmo que a pessoa não faça a compra na hora da exposição, depois ela procura a gente pelo Instagram e a gente faz a venda
, contou. E acrescenta: “Hoje eu já estou vendendo peças para São Paulo, para o Rio de Janeiro, através do Instagram”.
O trabalho com o artesanato e a participação nas exposições e nas palestras do projeto “Encontro de Mulheres do Agro”, revela Josilene Leite, também contribuíram para que ela crescesse como empreendedora e cidadã.
Antes eu tinha muita vergonha e assistindo palestras, vendo, escutando e observando, fui deixando a vergonha de lado. Aí foi me incentivando e, sem dúvida nenhuma, me ajuda a aumentar as vendas e a minha renda
, comenta.
O ganho financeiro com o artesanato ainda não é suficiente para garantir sozinho o sustento de Josilene Leite e, por isso, a agricultura permanece fazendo parte da vida da artesã. Porém, ela reforça que faz as peças em artesanato por ser uma realização pessoal.
Se você for fazer uma coisa que não tem vontade, não faça porque não vai dar certo. Agora se for fazer com gosto, desenvolve rápido
.
Projeto criado a partir da realidade das mulheres nas feiras e exposições do agro A assessora de Gestão Social da Sedap-PB e idealizadora do projeto “Mulheres do Agro Antes da Porteira”, Márcia Dornelles, enfatiza que o projeto nasceu a partir da escuta, do diálogo e das experiências compartilhadas por mulheres durante as feiras e exposições agropecuárias.
Em cada encontro, conversa e troca de vivências, tornou-se evidente a necessidade de criar um espaço de valorização, reconhecimento e fortalecimento da atuação feminina no setor
, relata. Márcia Dornelles acrescenta: “Enquanto o Mulheres do Agro destaca a força feminina dentro da produção agropecuária, o Mulheres do Agro Antes da Porteira é um braço do projeto principal”.
Márcia Dornelles lembra:
A agropecuária no Brasil é um dos setores mais fortes da economia e, cada vez mais, tem a presença feminina como protagonista em diferentes áreas de atuação. Muito além da produção no campo, as mulheres ocupam espaços estratégicos na inovação, na gestão, na tecnologia, na pesquisa e no desenvolvimento do setor, mostrando que o agro é construído por uma cadeia ampla, integrada e essencial para o desenvolvimento econômico e social do país
.
Com esse olhar mais abrangente, o projeto Mulheres do Agro fortalece sua atuação ao ampliar o reconhecimento da presença feminina em todas as etapas da agropecuária.
A iniciativa evidencia também o papel das mulheres que atuam antes da porteira, mantendo o foco nas mulheres que vivem o cotidiano da produção rural, trabalhando diretamente na agricultura, na pecuária, na gestão de propriedades e na liderança das atividades do campo. Produtoras rurais, agricultoras familiares, sucessoras, técnicas e gestoras representam a força feminina presente na base produtiva do agro brasileiro
, afirma Márcia Dornelles.
A assessora de Gestão Social da Sedap-PB explica:
Dentro desse contexto, ganham destaque também as mulheres rurais que atuam por meio da agricultura familiar, do cooperativismo e da economia solidária, fortalecendo comunidades, promovendo geração de renda e incentivando modelos de produção mais sustentáveis e colaborativos
. Além de produtoras, elas se tornam lideranças. “Muitas dessas mulheres lideram associações, feiras, grupos produtivos e iniciativas comunitárias que unem trabalho, inclusão social, empreendedorismo e valorização dos saberes locais”.
A economia solidária se apresenta como uma importante ferramenta de transformação social no meio rural, estimulando a autonomia feminina, o fortalecimento coletivo e o desenvolvimento regional
, avalia Márcia Dornelles. Ela salienta que “por meio da união, da cooperação e da produção compartilhada, essas mulheres contribuem não apenas para o crescimento econômico, mas também para a segurança alimentar, a sustentabilidade e a permanência das famílias no campo”.
O projeto “Mulheres do Agro Antes da Porteira” traz à tona o protagonismo da mulher, que acontece durante todo o processo de produção.
A proposta do projeto é mostrar que o agro vai muito além da porteira e que as mulheres exercem papel fundamental em toda a cadeia produtiva. Ao conectar histórias, competências e liderança, o ‘Mulheres do Agro’ busca promover reconhecimento, troca de experiências, fortalecimento de redes e valorização da atuação feminina no setor
, frisa a assessora da Sedap-PB.
Márcia Dornelles complementa:
São mulheres que cultivam muito mais do que alimentos: cultivam esperança, resistência, cuidado e futuro. Entre a lida no campo, a produção artesanal, a organização da casa e a dedicação aos filhos, elas seguem transformando realidades com coragem, sensibilidade e determinação. Reconhecer sua importância é valorizar a base que sustenta comunidades inteiras e fortalece o desenvolvimento social e econômico do nosso país
. Ela conclui: “Que suas trajetórias continuem inspirando novas gerações e mostrando que a força feminina no agro nasce, todos os dias, do trabalho, da união e da esperança cultivada na terra”.
A exposição – A 9ª Festa Cabra na Praça ocorreu entre a quinta-feira, dia 7, e o sábado, dia 9 deste mês, numa realização da Prefeitura de São José dos Cordeiros juntamente com o Governo da Paraíba, por meio da Sedap-PB e da Empresa Paraíbana de Pesquisa Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer-PB). O Sebrae Paraíba, a Associação Paraibana de Criadores de Caprinos, Ovinos e Bovinos (Appaco+Bov), o Governo Federal através do Ministério da Agricultura e da Pecuária, a Federação Paraibana de Agricultura (Faepa) e o Sistema Nacional de Aprendizagem Rural na Paraíba (Senar-PB) também foram parceiros na realização do evento.
Fonte: Paraiba