Pesquisadores descobriram que um exame de sangue pode ser útil na identificação de sinais de depressão que não são facilmente percebidos. O estudo recente revela que o envelhecimento biológico das células do sistema imunológico está associado a sintomas emocionais e cognitivos do transtorno, como desesperança e perda de interesse.
Publicada na revista The Journals of Gerontology, a pesquisa analisou dados de 440 mulheres, incluindo aquelas com e sem HIV, para investigar como mudanças no organismo podem estar ligadas à saúde mental. Os resultados sugerem que esses marcadores biológicos podem, no futuro, oferecer métodos mais objetivos para identificar a depressão, que atualmente depende principalmente do relato dos pacientes.
Embora exames laboratoriais sejam utilizados para descartar outras doenças, ainda não existe um teste que identifique a depressão diretamente. A pesquisadora Nicole Beaulieu Perez, da Universidade de Nova York, ressalta que a condição pode se manifestar de maneiras variadas em cada indivíduo.
A depressão não segue um único padrão e pode aparecer de formas variadas, o que torna importante olhar além de categorias amplas
, afirma.
O estudo focou no envelhecimento biológico, que pode diferir da idade cronológica, medido por alterações químicas no DNA, conhecidas como relógios epigenéticos. Os cientistas concentraram-se nos monócitos, um tipo de glóbulo branco que desempenha um papel na resposta imunológica. A pesquisa revelou que o envelhecimento dessas células está principalmente ligado a sintomas não físicos da depressão, como anedonia, que é a dificuldade de sentir prazer, além de sentimentos de fracasso e desesperança.
Por outro lado, sintomas físicos, como cansaço ou alterações no apetite, não mostraram a mesma relação com esse marcador. Perez destaca que isso é relevante, pois sintomas físicos podem ser atribuídos a outras condições, enquanto os aspectos emocionais podem passar despercebidos.
Os achados ajudam a compreender melhor a relação entre a depressão e os processos biológicos do corpo, indicando que diferentes tipos de sintomas podem ter origens distintas. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de novos estudos para confirmar esses resultados e avaliar a aplicação prática desses exames na clínica. A expectativa é que, a longo prazo, marcadores biológicos possam complementar a avaliação médica, possibilitando diagnósticos mais precoces e tratamentos personalizados.