Os Estados Unidos estão em busca de uma coalizão internacional com o objetivo de reabrir o estreito de Hormuz, uma rota vital para o comércio de petróleo, após uma nova alta nos preços da commodity e o aumento do risco de interrupções no fornecimento global. A informação foi divulgada em um documento do Departamento de Estado.
O estreito permanece fechado desde o início do conflito com o Irã, que teve início em 28 de fevereiro, e por onde transitava cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente. Desde então, o preço do petróleo Brent, referência global, mais que dobrou, impactando a inflação e os preços dos combustíveis em diversos países.
O presidente Donald Trump deve receber um relatório sobre possíveis novos ataques ao Irã, que visam pressionar o regime a adotar uma postura mais flexível nas negociações. O plano, elaborado pelo Comando Central dos EUA, sugere uma série de ataques 'curtos e poderosos', possivelmente direcionados a alvos de infraestrutura.
Entre as estratégias em discussão está a possibilidade de as forças americanas assumirem o controle de partes do estreito para garantir a passagem de navios comerciais, o que poderia incluir o envio de tropas terrestres. Simultaneamente, o Departamento de Estado propõe a criação de uma coalizão chamada Construção da Liberdade Marítima, destinada a assegurar a navegação na região e estabelecer uma nova arquitetura de segurança marítima após o conflito.
Países como França e Reino Unido já manifestaram interesse em participar da iniciativa, mas condicionaram sua atuação ao término das hostilidades. O governo americano enfrenta desafios, uma vez que Trump tem criticado aliados pela falta de apoio decisivo na guerra contra o Irã, com Paris e Londres se opondo aos ataques americanos e descartando operações para desbloquear o estreito durante o conflito.
Embora os EUA não tenham revelado detalhes sobre a coalizão marítima, Trump planeja manter o bloqueio naval contra portos iranianos por um período prolongado, visando pressionar a economia de Teerã. O regime iraniano, por sua vez, advertiu sobre uma possível 'ação militar sem precedentes' caso o bloqueio americano continue.
Enquanto isso, o Paquistão tenta mediar uma solução negociada para evitar uma escalada do conflito. O Irã propôs adiar as discussões sobre seu programa nuclear até que a navegação seja normalizada, mas essa proposta foi rejeitada por Trump, que insiste em abordar o enriquecimento de urânio iraniano desde o início das negociações.
Teerã busca o reconhecimento do direito de enriquecer urânio para fins civis, afirmando que seu programa é pacífico. Atualmente, o país possui cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, próximo ao nível necessário para armamento nuclear. Apesar de um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, o impasse persiste, com o Irã mantendo o bloqueio do estreito em resposta a ações navais americanas que restringem suas exportações.
Os custos da guerra também aumentam, com o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, informando que os gastos militares já somam US$ 25 bilhões, representando 13% do total destinado a Kiev desde o início da Guerra da Ucrânia em fevereiro de 2022.
O regime iraniano alertou que qualquer ataque dos EUA resultará em 'ataques longos e dolorosos' contra posições americanas na região. O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, afirmou que os EUA já enfrentaram dificuldades com suas bases regionais e que o mesmo ocorrerá com seus navios de guerra.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou que os EUA sofreram uma derrota vergonhosa na guerra.