A Casa Branca anunciou que está avaliando a mais recente proposta do Irã para reabrir o estreito de Hormuz, uma rota marítima crucial que representa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente, dois meses após o início do conflito.
As tentativas de negociação entre Washington e Teerã para encerrar a guerra não obtiveram sucesso até agora, com a última rodada de diálogos falhando em meio a um frágil acordo de cessar-fogo.
O presidente Donald Trump se reuniu com seus principais conselheiros de segurança para discutir a nova proposta iraniana. Segundo a agência estatal iraniana Fars, o Irã enviou mensagens escritas a Washington com a mediação do Paquistão.
A proposta inclui a flexibilização do controle iraniano sobre Hormuz e o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, mas adiaria as discussões sobre a questão nuclear. Trump comentou nas redes sociais que o Irã 'está em estado de colapso'.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que a oferta estava sendo discutida. Fontes do governo indicam que Trump está insatisfeito com o plano, desejando que as negociações nucleares sejam abordadas desde o início.
A proposta sugere um processo em etapas, começando com o fim da guerra e garantias de que os EUA não a retomarão, seguido por discussões sobre o bloqueio naval e o futuro de Hormuz sob controle iraniano.
Somente após esses passos, as negociações abordariam outras questões, incluindo o programa nuclear iraniano, com Teerã buscando reconhecimento dos EUA para seu direito de enriquecer urânio.
Um acordo anterior de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano, foi desfeito quando Trump se retirou unilateralmente durante seu primeiro mandato.
Enquanto a Casa Branca analisa a proposta, o porta-voz do Ministério de Defesa do Irã, Reza Talaei Nik, afirmou que os EUA não podem mais ditar sua política a outros países, exigindo que abandonem suas demandas consideradas ilegais.
O secretário de Estado, Marco Rubio, comentou que a proposta do Irã era 'melhor' do que se esperava, mas questionou sua sinceridade, enfatizando a necessidade de garantir que qualquer acordo impeça o desenvolvimento de armas nucleares.
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, atribuiu o fracasso das negociações às 'exigências excessivas' de Washington, enquanto buscava apoio da Rússia para encerrar a guerra.
O Parlamento iraniano está preparando uma lei que colocaria Hormuz sob controle das Forças Armadas, proibindo a passagem de navios israelenses e exigindo pagamento em moeda iraniana.
Trump enfrenta pressão interna para encerrar a guerra, enquanto dados indicam uma queda significativa no tráfego de navios pelo estreito, com apenas sete cruzando no último dia.