Um novo estudo sugere que o consumo regular de alimentos ultraprocessados pode estar ligado à diminuição da concentração e a um risco elevado de demência. A pesquisa, publicada na revista científica Alzheimer’s & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring, analisou dados de 2.187 adultos australianos sem diagnóstico de demência.
Conduzido por pesquisadores da Monash University e Deakin University, em colaboração com a Universidade de São Paulo, o estudo avaliou os hábitos alimentares e indicadores de saúde cerebral de participantes de meia-idade e idosos. Os resultados indicaram que aqueles que consumiam uma maior quantidade de ultraprocessados apresentaram desempenho inferior em testes de atenção e funcionamento cognitivo global.
Além disso, foi observado um aumento no risco estimado de demência, calculado com base em ferramentas clínicas que preveem a probabilidade futura da doença. Os pesquisadores descobriram que um aumento de 10% na ingestão de ultraprocessados na dieta diária estava associado a dificuldades de concentração, o que pode ocorrer quando alimentos frescos são substituídos por produtos industrializados.
O que são alimentos ultraprocessados?
Alimentos ultraprocessados são aqueles que passam por um extenso processamento industrial e contêm muitos ingredientes e aditivos, geralmente com pouco alimento in natura. Exemplos incluem refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, embutidos, macarrão instantâneo, refeições congeladas e doces industrializados.
A concentração é uma função mental essencial para diversas atividades diárias, aprendizado e tomada de decisões. Alterações persistentes nessa área podem impactar a produtividade e a qualidade de vida. Os autores do estudo ressaltam que a alimentação é um fator modificável, ao contrário de idade e genética, permitindo ajustes nos hábitos alimentares ao longo da vida.
Embora a pesquisa não prove uma relação causal direta entre ultraprocessados e demência, ela revela uma associação estatística entre o aumento do consumo desses alimentos e piores indicadores cognitivos. Os resultados reforçam a importância de priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e preparações caseiras para proteger a saúde cerebral ao longo do envelhecimento.