Localizado na zona rural de Cajazeiras, o Sítio Riacho do Meio abriga um dos engenhos mais antigos da Paraíba, com aproximadamente 150 anos de história. A produção de rapadura, batida e alfenim ocorre anualmente entre agosto e outubro, atraindo famílias e amigos para um momento de união.
A colheita da cana-de-açúcar é o primeiro passo do processo, que, apesar da seca que afeta a região, é viabilizada por um açude próximo que fornece água para os canaviais. Burros e carroças são utilizados para transportar as cargas de cana até o engenho, onde os animais realizam um trabalho intenso, transportando entre 80 e 90 cargas diariamente.
Francisco Pereira, conhecido como Pioca, mestre de engenho, detalha o processo:
A gente começa no sítio de cana. É transportado em animal ainda; aí transporta para cá e coloca ali em cima, onde chama o engenho. E ali começa a moer de madrugada
. O trabalho é árduo, mas é realizado com dedicação e amor pela tradição.
Francisco Gilvan, batedor da batida, enfatiza a importância de manter o engenho ativo e o interesse dos jovens. Ele destaca que a tradição é passada de geração em geração, e a comunidade se empenha em preservar essa herança cultural.
Estamos nessa batalha de não deixar cair nunca essa parte do engenho
, afirma.
Humberto Pessoa, que cresceu em torno do engenho, compartilha sua conexão familiar com o local.
Esse engenho que é histórico. Era dos meus avós. Eu passava aqui, era minha segunda casa
, recorda. A relação com o engenho é uma parte importante da identidade local.
José Ferreira, outro agricultor, fala sobre a relevância do resgate cultural.
Eu gosto porque nós estamos resgatando a nossa cultura. Pra mim, isso aqui é um privilégio
, diz, ressaltando a importância de reviver as tradições nordestinas.
Fonte: Diariodosertao