O fenômeno climático conhecido como El Niño já teve seu início e, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), sua intensidade deve aumentar até o final deste ano. A previsão foi divulgada na última quinta-feira, 11.
Celeste Saulo, diretora da Organização Meteorológica Mundial (OMM), alertou que o mundo deve se preparar para as consequências do El Niño, que pode intensificar secas, provocar chuvas torrenciais e aumentar o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos.
O El Niño é um fenômeno natural que aquece as temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial central e oriental, alterando os padrões globais de vento, pressão atmosférica e precipitação. Esse fenômeno ocorre a cada dois a sete anos e pode durar entre nove e doze meses, alternando-se com seu oposto, o La Niña.
A OMM destaca que mesmo um El Niño moderado pode aumentar a probabilidade de eventos climáticos extremos. O último fenômeno desse tipo contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado, com 2024 projetado para ser ainda mais quente, com temperaturas em torno de 1,55°C acima da média pré-industrial.
Entre abril e maio, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial centro-oriental já estava próxima dos limites do El Niño, com temperaturas subsuperficiais mais de 6°C acima da média. O Índice de Oscilação Sul, que é um componente atmosférico do fenômeno, também indica seu desenvolvimento.
Embora a OMM não tenha encontrado evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou a intensidade do El Niño, acredita-se que elas podem amplificar seus efeitos, uma vez que um oceano e uma atmosfera mais quentes oferecem mais energia e umidade para eventos climáticos extremos.
A OMM recomenda ações climáticas eficazes, como a redução da dependência de combustíveis fósseis, a aceleração da transição para energias renováveis e a implementação de sistemas de alerta precoce, especialmente para setores vulneráveis como agricultura e saúde.
O fenômeno deve atingir seu pico entre novembro e fevereiro, mas o aumento das temperaturas pode ocorrer mais tarde. A OMM prevê que, de junho a agosto, haverá uma predominância de temperaturas acima do normal em quase todo o mundo, o que pode agravar os riscos climáticos em várias regiões.
Centros climáticos regionais já preveem chuvas abaixo do normal durante a estação chuvosa no norte do Chifre da África, chuvas de monção abaixo da média no sul da Ásia e verões mais secos e quentes na América Central. Além disso, as águas quentes associadas ao El Niño podem favorecer a formação de furacões no Pacífico central e oriental, enquanto dificultam seu desenvolvimento no Oceano Atlântico.