A candidata de direita Keiko Fujimori apresenta uma leve vantagem sobre o adversário de esquerda, Roberto Sánchez, nas eleições presidenciais do Peru. Com a contagem de votos do segundo turno encerrada na véspera e mais de 90% das urnas apuradas, Fujimori obteve 50,49% dos votos, enquanto Sánchez ficou com 49,5%. Essa margem apertada gera incertezas sobre quem será o nono presidente do país na última década.
O analista Paulo Vilca, do Instituto de Estudos Peruanos (IEP), comentou que
este resultado traduz a divisão do país, mas revela também que nenhuma força política é hegemônica
. Os primeiros votos contabilizados foram majoritariamente das grandes cidades, onde Fujimori tende a ser a favorita, enquanto Sánchez conta com maior apoio nas zonas rurais.
No segundo turno, quase 27 milhões de peruanos votaram, e a votação ocorreu sem incidentes, ao contrário do primeiro turno em abril, que foi marcado por falhas e acusações de fraude. A escolha dos eleitores muitas vezes se resume ao "menor dos males" entre os dois candidatos.
Fujimori, que se candidata pela quarta vez, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e crimes contra a humanidade. Para seus apoiadores, seu governo é visto como sinônimo de estabilidade econômica e combate a guerrilhas. Por outro lado, Sánchez, ex-ministro que concorre pela primeira vez, busca apoio nas regiões andinas, onde a população se sente negligenciada.
A segurança pública é uma preocupação central para os eleitores, com cerca de 70% deles esperando que o combate à criminalidade seja a prioridade do próximo presidente. Fujimori propõe mobilizar o exército para apoiar a polícia e desmantelar redes de extorsão, enquanto Sánchez defende a reforma do sistema judicial e da polícia.
Ambos os candidatos não possuem maioria parlamentar, o que exigirá do futuro presidente a formação de alianças a partir de 28 de julho, quando substituirá o atual presidente interino, José María Balcázar. O vencedor assumirá um país com crescimento econômico de 3,4% do PIB, mas com uma alta taxa de informalidade no mercado de trabalho.