Os efeitos devastadores de uma tempestade na ilha de Sumatra, ocorrida em novembro do ano passado, resultaram na morte de pelo menos 58 orangotangos-de-tapanuli, uma espécie ameaçada de extinção. O dado foi revelado em um estudo publicado na revista Current Biology.
Os orangotangos, conhecidos cientificamente como Pongo tapanuliensis, são endêmicos da floresta de Batang Toru, localizada no norte de Sumatra. A pesquisa estima que a população total da espécie na região era de cerca de 800 indivíduos antes do desastre.
Além das mortes dos primatas, a tempestade também causou a morte de ao menos 1.200 pessoas e danificou aproximadamente 300 mil casas. O estudo, no entanto, não analisou outras áreas da floresta, o que sugere que o número de orangotangos mortos pode ser ainda maior.
Erik Meijaard, cientista-chefe da ONG Borneo Futures e um dos autores do estudo, destacou que
esse nível de perda é considerável para uma espécie cuja população total é tão baixa
. Ele também mencionou que as inundações destruíram as fontes de alimento e abrigo dos orangotangos.
A pesquisa utilizou imagens de satélite para avaliar os danos na parte oeste de Batang Toru, revelando que cerca de 8.300 hectares de floresta, mais de 11% da área, foram afetados. Ambientalistas atribuem a gravidade dos danos ao rápido desmatamento da ilha.
O estudo sugere que as mudanças climáticas, impulsionadas pela ação humana, podem ter intensificado a frequência e a severidade das chuvas na região do estreito de Malaca, colocando em risco o habitat dos orangotangos.
Meijaard alertou que a intensa chuva encharcou o solo, provocando deslizamentos de terra. Ele enfatizou a urgência de um plano de ação coordenado para proteger a espécie, que enfrenta pressões contínuas como degradação do habitat e conflitos com humanos.
Panut Hadisiswoyo, coautor da pesquisa, pediu ao governo da Indonésia que colabore com ONGs e pesquisadores para conter o declínio da população de orangotangos. Ele sugeriu que a minimização da caça ilegal poderia ajudar a estabilizar os números.
Ecologistas têm alertado sobre os impactos das atividades industriais em Batang Toru, incluindo a construção de uma represa hidroelétrica e uma mina de ouro. Os orangotangos-de-tapanuli estão sendo forçados a se deslocar devido ao desenvolvimento humano.
Jatna Supriatna, da Universidade da Indonésia e coautor do estudo, afirmou que
para evitar a primeira extinção moderna de uma espécie de grande símio, a Indonésia deve proteger permanentemente o ecossistema de Batang Toru
. Ele também ressaltou a necessidade de apoio internacional para a restauração da biodiversidade.