O coordenador do Gaeco na Paraíba, Octávio Paulo Neto, abordou em entrevista à Rádio CBN Paraíba as dificuldades no combate ao crime organizado. Ele ressaltou que falhas na execução das penas e mudanças no entendimento do Poder Judiciário têm impactado negativamente os esforços para enfrentar facções criminosas no Brasil.
Neto observou que, apesar de alguns avanços, as alterações na jurisprudência penal limitam resultados mais efetivos. Ele afirmou:
As regras mudam, e vemos pessoas retornando à vida pública que deveriam estar presas, não ocupando espaços e muito menos se submetendo ao crivo popular em campanhas políticas.
O promotor expressou preocupação com a possível aliança entre crime organizado e política, um cenário que, segundo ele, “erode os pilares da democracia”. Ele criticou decisões judiciais que retardam a aplicação das penas e defendeu uma maior participação da sociedade para pressionar por mudanças.
Neto também apontou fragilidades no sistema de execução penal brasileiro, afirmando que o modelo atual permite que criminosos sejam liberados rapidamente e voltem a cometer delitos.
O Brasil é muito ineficiente na execução das penas. Há situações em que sequer se consegue fazer com que determinadas pessoas cumpram pena em presídios — destacou.
A entrevista foi parte da série “Território Dominado”, que abordou o aumento da violência e os impactos na população. O promotor mencionou a crescente integração entre o Gaeco e as forças de segurança na Paraíba, mas enfatizou que a demora nas respostas do Judiciário e interpretações “elásticas” dos direitos dos acusados são os principais obstáculos.