Marcelo Paz completou três meses à frente do departamento de futebol do Corinthians, período que começou com a conquista da Supercopa do Brasil e evoluiu para um ambiente de pressão devido à falta de resultados recentes.
A atual situação pode resultar na demissão do técnico Dorival Júnior, caso a equipe não vença o Internacional no Campeonato Brasileiro.
Após deixar a presidência do Fortaleza, Paz enfrenta o desafio de se adaptar ao novo cenário no Corinthians, onde, embora lidere o departamento de futebol, está subordinado ao presidente Osmar Stábile.
Durante esses três meses, o dirigente teve que lidar com divergências internas, exigindo habilidade política para manter o equilíbrio no trabalho, sempre ressaltando que a decisão final cabe a Stábile.
Além das questões internas, Paz enfrenta um ambiente político conturbado, com Stábile cercado por aliados que influenciam decisões no futebol, mesmo sem cargos oficiais.
Mudanças na presidência, como o recuo na venda do volante André ao Milan, expuseram o trabalho de Paz, assim como a desistência na contratação do volante Alisson e do atacante Kayky.
Esses episódios impactaram a percepção externa sobre o trabalho do executivo, que precisou ajustar sua atuação em relação ao modelo que adotava no Fortaleza, onde tinha maior autonomia.
Apesar dos desafios, a relação com Osmar Stábile permanece cordial, baseada em diálogo frequente. Paz conta com uma equipe de apoio no departamento, incluindo Renan Bloise, Julio Manso e Thiago Ayres.
A aproximação entre o futebol e a área financeira foi um dos principais objetivos da contratação de Paz, que trabalhou em conjunto com o grupo de reestruturação financeira para cumprir o planejamento orçamentário.
Na janela de transferências, o Corinthians não adquiriu direitos econômicos, realizando sete contratações, sendo quatro jogadores livres e três por empréstimo, com um custo total de R$ 1,8 milhão.
Embora tenha havido avanços na integração entre as áreas, jogadores sentem falta de uma comunicação mais próxima com o executivo, o que era uma característica do antecessor Fabinho Soldado.
A comissão técnica também percebe um menor suporte em momentos de pressão, com divergências sobre o modelo de gestão esportiva e a venda de reforços, considerada essencial por Paz.