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Denúncia do MPF revela esquema de fraude em concurso da PF

O Ministério Público Federal denunciou um grupo de dez pessoas por fraudes em concurso da Polícia Federal, com atuação em três estados do Nordeste. O esquema envolvia corrupção e tecnologia avançada para garantir apro...
Foto: THMais - Você por dentro de tudo

O Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba apresentou uma denúncia contra dez indivíduos suspeitos de fazer parte de um esquema conhecido como "máfia dos concursos", que teria fraudado um certame da Polícia Federal realizado em 2025. A informação foi divulgada nesta terça-feira.

De acordo com a denúncia, o grupo operava de maneira articulada em três estados do Nordeste: Paraíba, Pernambuco e Alagoas. A investigação revelou que a fraude tinha como alvo o cargo de delegado da Polícia Federal, visando beneficiar candidatos em troca de pagamentos.

O MPF apresentou evidências de movimentações financeiras suspeitas e comunicações que indicam a participação dos denunciados. Os valores cobrados pelos serviços prestados podiam ultrapassar R$ 280 mil por candidato, seguindo uma lógica de mercado baseada no salário do cargo.

A estrutura do grupo era hierárquica, com funções bem definidas, incluindo gestores, intermediários, responsáveis pela resolução das provas, executores de extração de imagens e beneficiários das fraudes. Os envolvidos podem enfrentar acusações de organização criminosa, fraude em certame público, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e obstrução de investigação.

Dois dos denunciados tinham firmado acordos de colaboração premiada, mas o MPF pediu a revogação desses benefícios, alegando descumprimento dos termos e continuidade de atividades ilícitas.

As investigações apontam que a organização tinha sua base em Patos, no Sertão paraibano, e já estava sob monitoramento há anos. Em operações anteriores da Polícia Federal, mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e o líder do grupo foi preso, vindo a falecer posteriormente.

O esquema utilizava tecnologias avançadas para contornar a segurança dos concursos, incluindo o uso de dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real durante as provas. Além de dinheiro, os pagamentos podiam ser feitos com ouro, veículos e até procedimentos odontológicos.

As fraudes afetaram concursos de várias instituições, como a Polícia Federal, a Caixa Econômica Federal, a Universidade Federal da Paraíba, o Banco do Brasil e o Concurso Nacional Unificado (CNU). As investigações sugerem que o esquema pode ter operado por mais de uma década, comercializando aprovações e corrompendo processos seletivos em diferentes níveis.

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