Os ex-ministros Marina Silva e Fernando Haddad manifestaram descontentamento com a recente derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, que permite a redução das penas para aqueles envolvidos em ataques à democracia. Marina descreveu a situação como uma 'vergonha', enfatizando que os responsáveis por tais atos não deveriam ter suas penas diminuídas.
Durante um evento em São Paulo, Marina afirmou que 'a pena para eles não deveria ser menor, deveria ser maior'. Haddad, por sua vez, considerou a aprovação do projeto como um sinal de um acordo em favor da impunidade no país, afirmando que essa decisão representa uma derrota no combate à corrupção.
O PL da Dosimetria, que foi aprovado pelo Congresso, altera as penas para condenados por golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A votação na Câmara resultou em 318 votos contra o veto e 144 a favor da sua manutenção, enquanto no Senado, 49 senadores votaram pela derrubada e 24 contra.
A proposta prevê que as penas por golpe de Estado não sejam cumulativas e estabelece reduções significativas para crimes cometidos em multidão, exceto para financiadores ou líderes. A deputada federal Erika Hilton também criticou a derrubada do veto, chamando-a de 'anistia disfarçada' e alertando sobre os riscos à democracia.
A derrubada do veto ao PL da Dosimetria marca a segunda derrota do governo Lula em menos de 24 horas, após o Senado ter rejeitado a indicação de Jorge Messias para o STF. Marina, ao comentar sobre essa situação, destacou que a verdadeira perda não foi do presidente, mas do Brasil como um todo.