A Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá entre junho e julho, traz um novo desafio para os atletas: o calor extremo. Estudos indicam que as mudanças climáticas aumentaram as chances de que as partidas sejam realizadas sob temperaturas prejudiciais ao desempenho físico e à saúde dos jogadores.
Diferentemente da edição anterior, realizada no Catar em novembro e dezembro para evitar o calor intenso, o torneio de 2026 manterá o calendário tradicional. A competição será disputada em 16 cidades nos Estados Unidos, México e Canadá, onde as condições climáticas variam. Algumas regiões poderão registrar calor intenso e alta umidade durante os jogos.
Para enfrentar esse desafio, a FIFA adotou uma medida inédita: todas as 104 partidas contarão com duas pausas obrigatórias para hidratação, uma aos 22 minutos do primeiro tempo e outra aos 22 minutos do segundo tempo. Cada pausa terá duração de três minutos e ocorrerá independentemente da temperatura no estádio, sendo incorporada ao tempo de acréscimos.
Essa iniciativa visa proteger a saúde dos atletas durante o verão no Hemisfério Norte, permitindo não apenas a reposição de líquidos, mas também a realização de ajustes táticos pelas comissões técnicas.
Especialistas alertam para a combinação de fatores que aumentam o risco de calor extremo durante o torneio. O calendário coincide com o período mais quente do ano na América do Norte, e várias sedes estão localizadas em regiões tradicionalmente quentes e úmidas, como Miami, Dallas e Houston. A umidade elevada dificulta a evaporação do suor, dificultando a dissipação do calor pelo corpo.
Além disso, desde a última Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos, em 1994, a temperatura média do planeta aumentou cerca de 0,7°C, segundo a rede científica World Weather Attribution (WWA). Um estudo liderado pelo climatologista Donal Mullan concluiu que 14 das 16 cidades-sede podem ultrapassar os 28°C no índice WBGT, que mede o estresse térmico.
Levantamentos indicam que 97 dos 104 jogos da competição podem ocorrer em condições de calor que comprometam o desempenho dos jogadores. Em 49 partidas, a probabilidade de enfrentar esse cenário é superior a 50%. Além disso, 26 jogos devem ser disputados com índices de WBGT de pelo menos 26°C, nível em que a Federação Internacional de Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPRO) recomenda pausas obrigatórias.
O índice WBGT considera a temperatura do ar, umidade, radiação solar e velocidade do vento para avaliar o estresse térmico. A FIFPRO sugere que, ao atingir 26°C, as partidas devem ser interrompidas para resfriamento, enquanto a FIFA prevê a possibilidade de suspensão apenas acima de 32°C.
A final da Copa do Mundo, marcada para 19 de julho em Nova Jersey, também não está isenta desse risco, com 47% de chance de ser realizada sob condições climáticas que possam afetar o desempenho dos atletas.