O término das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, realizadas em Islamabad, sem um acordo, gera dúvidas sobre a possibilidade de uma paz duradoura entre os dois países. Antes do encerramento das conversas, autoridades paquistanesas expressaram otimismo, destacando a confiança que possuem de ambos os lados.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, também demonstrou confiança, mas após longas discussões, foi anunciado que não houve consenso. Desacordos sobre o programa nuclear iraniano e outros pontos sensíveis foram apontados como razões para o colapso das conversas.
A chefe dos correspondentes internacionais da BBC, Lyse Doucet, observou que as negociações em Islamabad representaram o mais alto nível de diálogo entre os dois países desde a Revolução de 1979. Ela ressaltou que a diplomacia desse tipo não pode ser resolvida rapidamente e que já havia sinais de que o processo seria demorado.
Doucet também mencionou a retórica agressiva do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou que o Irã precisa se render. No entanto, o Irã não chegou a Islamabad com a intenção de se submeter, acreditando ter uma posição forte e continuando suas ações no Estreito de Ormuz.
Nicholas Hopton, ex-embaixador do Reino Unido no Irã, apontou que, apesar das exigências extremas de ambas as partes, houve um diálogo construtivo e a expectativa de novas conversas. Ele acredita que um eventual acordo poderá ser mais complexo que o de 2015.
Kasra Naji, correspondente da BBC, destacou que o chefe da delegação iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, culpou os EUA pela falta de confiança, mas deixou aberta a possibilidade de futuras negociações. Conversas indiretas entre delegados iranianos e americanos continuaram, mesmo após o fim das negociações formais.
Especialistas sugerem que uma escalada por parte dos EUA é improvável no momento, com Trump adotando uma abordagem mais cautelosa. Uma fonte da agência de notícias iraniana Tasnim afirmou que o Irã não está apressado para negociar, colocando a responsabilidade nas mãos dos EUA.
Doucet conclui que um retorno à guerra seria impopular nos EUA, especialmente com a aproximação das eleições de meio de mandato. Além disso, ela ressalta que uma escalada não seria eficaz, pois o Irã reagiria.