Pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) emitiram um alerta sobre o surto de ebola na África, afirmando que, se não forem tomadas medidas adequadas, a situação pode se tornar uma das mais graves da história. O aviso foi divulgado nesta semana.
A República Democrática do Congo confirmou 71 novos casos de ebola em apenas 24 horas, totalizando 452 diagnósticos e 82 mortes até a última sexta-feira (5/6). De acordo com o CDC, a cepa Bundibugyo, que é rara e letal, já estava circulando no país entre janeiro e fevereiro, antes do primeiro caso suspeito ser relatado.
Os cientistas estimam que, em um cenário onde apenas 20% dos infectados são rapidamente detectados e isolados, há 65% de chances de que o número de casos ultrapasse 20 mil nos próximos três meses. No entanto, se a identificação e o isolamento ocorrerem de forma mais eficiente, o risco de um cenário tão catastrófico diminui significativamente.
Para enfrentar a crise, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o CDC da África anunciaram uma campanha para arrecadar U$ 518 milhões (aproximadamente R$ 2,67 bilhões) para apoiar os países africanos mais afetados. O objetivo é fornecer recursos para que esses locais possam identificar e responder a novos casos da doença de maneira mais ágil.
Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos disponíveis para a cepa Bundibugyo. O Ministério da Saúde explica que o ebola é transmitido por contato direto com sangue, secreções ou fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. O contato pode ocorrer também por superfícies contaminadas ou com corpos de pessoas que faleceram devido ao vírus.
Os primeiros sintomas da doença incluem febre repentina, cansaço intenso, dor muscular e dor de cabeça. Com a progressão da infecção, os sintomas se agravam, podendo levar a vômitos, diarreia, lesões na pele e problemas no fígado e rins. Em casos mais graves, podem ocorrer sangramentos internos ou externos.
A situação é ainda mais complicada devido à precariedade das estruturas hospitalares nas áreas afetadas e à presença de conflitos armados, que dificultam o acesso das equipes médicas. Além do Congo, Uganda já registrou 19 casos de ebola, gerando preocupação sobre a possibilidade de o vírus se espalhar para outras nações africanas.