Caracas, a capital da Venezuela, apresenta uma rotina que parece normal, com transporte e comércio funcionando e o sinal de internet restabelecido. No entanto, o impacto dos terremotos que atingiram o país no dia 24 de outubro é visível em várias áreas, onde milhares de pessoas estão desalojadas.
No Parque del Este, um espaço de 82 hectares projetado pelo artista brasileiro Roberto Burle Marx, um acampamento se formou como abrigo para aqueles que perderam suas casas. Nesta sexta-feira (3), cerca de 2.000 pessoas, incluindo 300 crianças e adolescentes, ainda residiam no local, recebendo alimentos, roupas e atendimento médico, incluindo uma clínica móvel que oferece exames oftalmológicos.
Kimberlly Paola Torres López, de 19 anos, é uma das afetadas. Ela e sua família conseguiram escapar a tempo quando a estrutura de sua casa desabou. "O que precisamos agora é uma casa", afirmou, enquanto cuidava de sua bebê de 8 meses.
As áreas mais afetadas em Caracas foram os bairros de classe média alta de Los Palos Grandes e Altamira, na região de Chacao, onde três edifícios colapsaram, resultando em pelo menos 62 mortes e 28 resgates, conforme as autoridades locais.
As brigadas de ajuda internacional, que incluem socorristas de países como Brasil e Chile, não atuam na capital, onde as equipes locais estão concentradas em La Guaira, a região mais devastada pelos tremores. Em La Guaira, o número de mortos é estimado em milhares, com dezenas de milhares de desaparecidos.
Cartazes de desaparecidos adornam as paredes de Caracas, com familiares buscando por seus entes queridos. Desde o dia seguinte ao terremoto, ninguém foi encontrado no chamado "Muro da Esperança".
A situação das crianças é especialmente preocupante. O governo não divulga quantas crianças estão desaparecidas ou órfãs, mas foi informado que quatro menores estão sob custódia do Estado em Caracas. Orfanatos tentam se organizar para acolher essas crianças, embora ainda não tenham informações precisas sobre o número delas.
As estatísticas oficiais indicam que 15 mil pessoas estão sem moradia no país, enquanto a ONU estima que esse número ultrapasse 50 mil. Além dos que perderam suas casas, muitos temem retornar a imóveis com estruturas comprometidas.
Desde os terremotos, mais de 800 réplicas foram registradas, embora nenhuma tenha sido tão intensa quanto os tremores iniciais. O impacto psicológico e financeiro da tragédia ainda é incerto e pode perdurar por um longo tempo.