O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara dos Deputados, se manifestou sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a jornada de trabalho no Brasil. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (1º), ele enfatizou a importância de continuar as discussões sobre o tema, ressaltando que a proposta necessita de ajustes para evitar consequências negativas para o mercado de trabalho e a economia.
Ao analisar a proposta, o parlamentar criticou aspectos do texto, sugerindo uma transição mais gradual.
A deputada que elaborou o texto cometeu um erro básico ao calcular as horas, propondo 36 horas em um formato que resultaria em 32 horas. É fundamental ter responsabilidade ao discutir um tema tão sensível para a sociedade brasileira, especialmente no que diz respeito à proteção dos empregos e à questão fiscal — afirmou durante sua participação no programa Correio Debate, da rádio Correio 98 FM.
Cabo Gilberto também se defendeu de críticas que recebeu durante o debate, alegando ter sido alvo de desinformação. Ele citou que alguns afirmaram que ele apoiava uma "PEC da escravidão", mas garantiu que a proposta não visa aumentar a carga horária regular, mas sim estabelecer limites para as horas extras.
O deputado propôs um período de transição mais curto e a implementação de incentivos fiscais para preservar os postos de trabalho.
Defendemos que a transição não deve durar dez anos, mas sim quatro, e que sejam criados mecanismos para evitar o aumento do desemprego — destacou. Ele também mencionou a necessidade de discutir questões relacionadas ao FGTS e à realização de horas extras de forma voluntária.
Questionado sobre sua posição caso estivesse no Senado, Cabo Gilberto afirmou que apoiaria a tramitação da PEC para garantir o debate, mas sem um compromisso automático com o texto final.
Eu assinaria a proposta para que o debate ocorra, mas isso não significa que sou a favor de tudo. É importante aguardar as discussões, pois o tema está muito em pauta no Congresso Nacional — disse.
O deputado também comentou sobre as declarações do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, a respeito dos impactos eleitorais da proposta. Cabo Gilberto minimizou as divergências, reiterando que sua posição sempre foi favorável ao debate.
Nunca me posicionei contra a jornada de trabalho. O que está acontecendo é uma hipocrisia de um governo que está no poder há 20 anos e nunca se preocupou com isso — concluiu.
A PEC, que já recebeu apoio da maioria da bancada paraibana, foi aprovada na Câmara no final de maio e agora segue para análise no Senado.