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Botafogo e Eagle firmam acordo que abre caminho para novo investidor

A SAF Botafogo e a Eagle Bidco assinaram um acordo de paz. O documento prevê a suspensão por um mês dos processos judiciais em curso. A batalha começou quando John Textor estava no poder e agora perde força com mudanç.....
Foto: Vitor Silva / Botafogo

A SAF Botafogo e a Eagle Bidco assinaram um acordo de paz. O documento prevê a suspensão por um mês dos processos judiciais em curso. A batalha começou quando John Textor estava no poder e agora perde força com mudanças administrativas no alvinegro.

O acordo foi firmado pelas partes neste domingo e será formalizado por meio de petição nos diferentes processos na Justiça do Rio a partir desta segunda-feira, segundo a reportagem apurou.

A Eagle é detentora de 90% das ações da SAF Botafogo. Os outros 10% são do clube associativo.

O movimento pavimenta o caminho para a recuperação judicial da SAF e a chegada de um novo investidor, o grupo GDA Luma, sob propriedade de Gabriel de Alba.

Mas a ideia com o acordo e os passos subsequentes é não mexer em quem comanda a operação da SAF Botafogo atualmente: Eduardo Iglesias, nomeado pelo juízo da recuperação judicial há 10 dias.

A trégua com a Eagle é considerada definitiva. Mas por limite legal, a suspensão dos processos só pode acontecer por 30 dias, renováveis por mais 30.

Por que o acordo é crucial

Após idas e vindas nos últimos dias, envolvendo até decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a respeito da devolução dos poderes políticos à Eagle dentro do conselho de administração da SAF, o acordo é visto como fundamental para sustentar os planos em marcha no Botafogo.

E isso passou por assegurar que a então iminente recuperação judicial fosse ajuizada, já que o desejo da acionista majoritária (a Eagle) era de evitá-la, na visão de quem acompanha o caso pelo Botafogo.

Quando o pedido de Recuperação Judicial foi feito — e aceito —, isso se deu em um cenário no qual a Eagle não tinha direitos políticos. Logo, bastou o aval do clube associativo.

A recuperação judicial era necessária, pois se tratava da única ferramenta para derrubar os transfer bans da Fifa, evitar perda de jogadores — que poderiam sair a custo zero — e suspender cobranças e execuções contra a SAF Botafogo. Com esse mecanismo, o Botafogo tenta equacionar parte de uma divida que alcança aproximadamente R$ 2 bilhões.

Desde o pedido de recuperação judicial, SAF e a Eagle já vinham costurando o acordo de pacificação, pois entendiam que o pedido de RJ era um caminho sem volta.

O acordo suspende todos os processos entre Botafogo e Eagle. Eduardo Iglesias seguirá no comando da SAF, sem que haja indicação de membros ao conselho.

As partes se comprometeram a não fazer mais petições nos casos em trâmite e não entrar com novas ações. Fica tudo suspenso, menos a recuperação judicial.

O acerto com a Eagle ainda pressupõe passos seguintes, pavimentado a entrada de um novo investidor. E aí que a GDA entra na jogada.

Como o Botafogo pode sair do buraco

Segundo quem participa das conversas, o cenário costurado é que Eagle/Lyon paguem um valor para deixar a sociedade da SAF e haja a devolução dos 90% para a associação.

O montante final está sendo discutido entre as partes, mas um ponto de partida estimado é na casa de 25 milhões de euros (R$ 147 milhões).

Esse pagamento viria por meio de um financiamento DIP (sigla de debtor-in-possesion). É um meio de repassar verba a quem está em recuperação judicial, garantindo capital de giro com segurança jurídica.

A Eagle pagaria para devolver? A lógica para esse movimento está no passivo. A companhia faria o movimento para se livrar da dívida de cerca de R$ 2 bilhões, que seria assumida pelo investidor futuro. Pelas discussões até agora, a GDA.

A reboque, um outro passo nessa história —aí, como uma condicionante dessa saída da Eagle — é que se dê a quitação dos valores que o Botafogo entende ter a receber do Lyon e vice-versa.

No popular, o clube francês ficaria com seus problemas, o Botafogo com os dele, e vida que segue. Por quê? Textor fez um emaranhado de transações, que gerou passivos para os dois lados. Ele transferiu valores de premiação, patrocínio e venda de jogadores da SAF Botafogo para Eagle/Lyon, que somaram mais de R$ 900 milhões.

As transferências foram feitas para que a compra do Lyon pela Eagle fosse efetivada, garantindo-se, na sequência, a manutenção do clube francês na primeira divisão da França. O Botafogo não recebeu o dinheiro de volta.

Por outro lado, Textor vendia recebíveis futuros — neste caso, com transferências de jogadores — para instituições financeiras com o intuito de ter dinheiro de imediato.

A questão é que essa operação, chamada de factoring, gerou taxas que encareceram o movimento, ao mesmo tempo que deixou o Lyon com uma dívida alta lá fora.

Aprovação necessária

Com a situação da Eagle pacificada, o Botafogo associativo vai apresentar a proposta recebida pela compra dos 90% das ações da SAF em assembleia no conselho deliberativo.

O que está engatilhado com a GDA, segundo quem participa das conversas, é que o grupo ficaria com essas ações, trazendo o compromisso de aporte de ao menos 85 milhões de euros (cerca de R$ 500 milhões) na SAF a longo prazo.

O Botafogo projeta que a GDA já faria em um prazo curto um repasse de 15 milhões de euros (R$ 87 milhões). Na visão do clube, esse aporte e a provável negociação do volante Danilo trarão valores suficientes para o cumprimento das obrigações da SAF pelo menos até o final do ano. Sem contar os demais montantes vindos da GDA e da Eagle/Lyon previstos para ainda esse ano.

A GDA já mandou ao Botafogo seus documentos assinados. Com a aprovação do conselho, o presidente do associativo, João Paulo Magalhães, poderá colocar sua assinatura.

Além da GDA, o próprio Textor também tem uma proposta para “recomprar” a SAF. Mas ela deve ser rejeitada. Não há clima para isso, e o Botafogo quer seguir a vida sem ele.

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