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Bolsonaro encerra prisão domiciliar com incertezas sobre futuro

Jair Bolsonaro chega ao fim de 90 dias de prisão domiciliar, com expectativa de prorrogação por questões de saúde, mas enfrenta isolamento político e incertezas sobre decisão do STF.

Após 90 dias de prisão domiciliar, Jair Bolsonaro (PL) se encontra em uma situação de incerteza quanto à prorrogação de sua detenção, concedida pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Parentes e aliados do ex-presidente esperam que a continuidade da medida seja mantida em nome de sua saúde, embora seu isolamento político tenha se intensificado durante esse período.

A possibilidade de prorrogação da prisão domiciliar é ameaçada pela apreensão, na semana passada, de uma arma de Bolsonaro que estava com um de seus seguranças, que a levava para conserto, conforme informado pela defesa do ex-presidente. Em despacho recente, Moraes considerou a situação uma "falta grave" que pode levar à "cessação da prisão domiciliar" e solicitou a opinião da Procuradoria-Geral da República (PGR). A PGR, até o momento, não identificou uma falta disciplinar e aguarda o andamento das investigações.

Os 90 dias de prisão domiciliar se encerram nesta quinta-feira (25). Interlocutores de Bolsonaro acreditam que Moraes está inclinado a encerrar a prisão domiciliar, mas a posição da PGR pode influenciar essa decisão. Além disso, outros ministros do STF preferem que o ex-presidente permaneça em casa.

Aliados de Bolsonaro argumentam que sua volta à unidade prisional conhecida como Papudinha poderia fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, que busca a presidência, ao criar uma narrativa de perseguição política ao pai, além de gerar instabilidade e colocar a vida do ex-presidente em risco.

Durante os 90 dias de prisão domiciliar, a saúde de Bolsonaro apresentou algumas melhorias, com crises de soluço menos frequentes. No entanto, seu estado ainda é considerado frágil, e relatos médicos indicam cansaço e fadiga, além de episódios de sonolência devido ao uso de medicamentos.

A avaliação de pessoas próximas ao ex-presidente é que as restrições impostas durante a prisão domiciliar limitaram sua atuação política. Desde que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica em novembro, seu contato com o mundo político ficou restrito a Flávio, que é visto como seu único porta-voz.

Michelle Bolsonaro (PL), que teve desavenças públicas com Flávio, afirmou que seu foco é cuidar do ex-presidente e não atuar eleitoralmente, embora defenda que o PL lance candidaturas femininas. Ela também pretende gravar vídeos de apoio a pré-candidatas.

Flávio foi uma das 14 pessoas que visitaram Bolsonaro durante a prisão domiciliar, além de Michelle e suas filhas, que não precisam de autorização para as visitas. A Polícia Militar informa semanalmente a Moraes sobre quem entra na residência de Bolsonaro e por quanto tempo.

Desde sua saída do hospital, onde tratou uma pneumonia, até 17 de junho, Flávio esteve com o pai 26 vezes, atuando ora como advogado, ora como filho. A internação foi o motivo que levou Moraes a autorizar a prisão domiciliar por 90 dias, após pedidos de Michelle e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Durante esse período, Bolsonaro teve acesso a televisão e conviveu com seus cães, além de ter melhorado sua alimentação. Quatro médicos e fisioterapeutas se revezaram em seu atendimento, e ele conta com a assistência de quatro advogados.

Apesar das limitações, Flávio discute sua pré-campanha com o pai, que influencia decisões sobre a escolha de um vice e palanques eleitorais. No entanto, a interação entre eles é limitada, o que gera frustração em Bolsonaro.

A prioridade dos bolsonaristas é manter o ex-presidente vivo e em casa, com a esperança de que, caso Flávio vença a eleição, Bolsonaro possa acompanhá-lo na cerimônia de posse.

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