O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira (11) um aumento em sua taxa de juros, a primeira elevação desde 2023. A decisão foi impulsionada pela crescente inflação na zona do euro, que reflete os efeitos econômicos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
A taxa de depósito, que serve como referência para a política monetária do bloco, subiu de 2% para 2,25%. Essa medida já era esperada pelo mercado e representa a primeira ação de um grande banco central diante do aumento dos preços de energia causado pelo conflito no Oriente Médio.
A guerra no Oriente Médio está gerando pressões inflacionárias, e a decisão de aumentar as taxas de juros é sólida em uma série de cenários que descrevem como o choque pode evoluir e afetar as perspectivas de médio prazo para a zona do euro.
O BCE também destacou a incerteza que permeia o cenário econômico, com riscos tanto para a inflação quanto para o crescimento da região. A inflação na zona do euro acelerou para 3,2% em maio, superando a meta de 2% estabelecida pela instituição.
Durante uma coletiva de imprensa em Frankfurt, a presidente do BCE, Christine Lagarde, enfatizou que a decisão de elevar os juros foi unânime entre os membros do conselho. Lagarde classificou o aumento como uma medida necessária diante do atual cenário econômico e alertou que permitir que a inflação se descontrole poderia dificultar o retorno à estabilidade de preços.
Embora o BCE tenha ajustado marginalmente sua projeção de crescimento para 2026, de 0,9% para 0,8%, as empresas e famílias já enfrentam custos mais altos de energia devido ao conflito. Economistas, no entanto, questionam a eficácia do aumento dos juros, argumentando que a inflação atual está mais relacionada à oferta de energia do que a um excesso de demanda.
Apesar das críticas, o BCE considera essencial agir preventivamente, tendo em vista a experiência da crise inflacionária que começou em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Naquela ocasião, o banco central foi criticado por sua demora em reagir ao aumento dos preços.
Lagarde não antecipou os próximos passos da política monetária, mas a combinação de inflação elevada, preços de energia altos e incertezas relacionadas à guerra sugere que novos aumentos de juros podem ser considerados nos próximos meses.