O Brasil observa um crescimento preocupante na incidência de câncer colorretal, conforme estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Entre 2026 e 2028, projeta-se que 53.810 pessoas desenvolverão a doença anualmente, representando cerca de 10,4% de todos os novos diagnósticos de neoplasias no país.
Um estudo publicado no ANZ Journal of Surgery analisou dados de internações em hospitais públicos de São Paulo entre 2000 e 2023. Os pesquisadores descobriram que a probabilidade de óbito após cirurgia para remoção de tumores no cólon e reto aumenta com a idade. Além disso, pacientes que passam por cirurgias de urgência apresentam risco significativamente maior de morte em comparação aos que são operados eletivamente.
O tempo de internação e a presença de comorbidades também afetam o risco de mortalidade. Pacientes com hospitalizações mais longas e outras doenças associadas têm maior probabilidade de falecer, indicando quadros clínicos mais complexos.
Felipe Delpino, coautor da pesquisa, destacou que modelos de inteligência artificial foram treinados utilizando dados clínicos e variáveis socioeconômicas. Esses modelos têm potencial para prever a mortalidade por câncer colorretal e auxiliar na alocação de recursos em áreas vulneráveis.
A tendência de crescimento no número de casos de câncer colorretal é observada globalmente. Um estudo da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) revelou que aproximadamente 1,9 milhão de casos foram identificados em 2022. Fatores comportamentais, como sedentarismo e dieta rica em ultraprocessados, estão associados ao aumento da incidência da doença.
Os sintomas do câncer colorretal incluem sangramento retal persistente, alterações nos hábitos intestinais, perda de peso inexplicada e dor abdominal. O diagnóstico é geralmente realizado por meio de colonoscopia com biópsia, permitindo a análise do tecido para determinar sua natureza.
O tratamento do câncer colorretal é predominantemente cirúrgico, com algumas exceções para tumores iniciais que podem ser removidos durante a colonoscopia. Dependendo do exame anatomopatológico, o paciente pode necessitar de quimioterapia adjuvante ou imunoterapia, que visa ativar o sistema imunológico contra as células tumorais.