O advogado Cláudio Diniz, auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), analisou os problemas estruturais que afetam a Seleção Brasileira de Futebol, especialmente após a recente eliminação na Copa do Mundo. Em entrevista ao programa Olho Vivo, Diniz destacou a instabilidade na gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o abandono das raízes do futebol nacional como fatores que explicam a ausência de títulos mundiais nos últimos 20 anos.
Diniz enfatizou que a falta de continuidade na liderança da CBF tem um impacto direto no desempenho da seleção.
Estamos há praticamente 10, 12 anos mudando constantemente de presidente da CBF. Essa instabilidade compromete o preparo e o planejamento da Seleção Brasileira — afirmou.
Além disso, o auditor criticou o que chamou de "europeização
do futebol brasileiro, que, segundo ele, tem descaracterizado o estilo de jogo nacional.
Hoje, queremos mais nos parecer com o futebol europeu do que com o que se jogava nos anos 70, 80 e até o início dos anos 90", lamentou.
Apesar das críticas, Diniz expressou otimismo em relação ao futuro da Seleção Brasileira sob a liderança do técnico Carlo Ancelotti. Ele considerou a renovação do treinador como uma decisão acertada da CBF, que pode trazer estabilidade ao projeto para o próximo Mundial.
Ele teve pouco mais de um ano para preparar uma seleção para uma competição tão importante. Se tiver a oportunidade de trabalhar por quatro anos, certamente poderá planejar melhor a Seleção para a Copa do Mundo de 2030
, defendeu.
O auditor também acredita que a recuperação do futebol brasileiro depende de reformas estruturais promovidas pelos clubes, com a proliferação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e a criação de uma nova liga independente, a Libra.
Dirigentes de grandes clubes estão percebendo que precisam se reestruturar ou o futebol brasileiro ficará para trás — concluiu Diniz.
Fonte: Diariodosertao