A polícia financeira da Itália anunciou a apreensão de bens e empresas avaliados em mais de 200 milhões de euros, equivalente a mais de R$ 1,1 bilhão. Essa ação faz parte de uma investigação sobre a lavagem de dinheiro relacionada ao falecido chefe da máfia, Matteo Messina Denaro.
A operação resultou de uma investigação complexa que rastreou um extenso conjunto de ativos gerados pelo reinvestimento de lucros do tráfico de drogas, acumulados desde a década de 1980 em diversos países. O procurador-chefe de Palermo, Maurizio de Lucia, afirmou:
Acreditamos ter identificado uma parcela significativa dos investimentos feitos pela máfia, inclusive no exterior.
Messina Denaro, que foi preso em 2023 após 30 anos foragido, era conhecido por seu papel na guerra da máfia siciliana Cosa Nostra contra o Estado, que resultou em assassinatos notórios, como o do procurador-geral Giovanni Falcone. Ele morreu de câncer poucos meses após sua prisão, deixando as autoridades com a tarefa de rastrear os lucros de seu império criminoso.
Denaro, apelidado de "o último poderoso chefão", foi condenado 20 vezes à prisão perpétua e era conhecido por sua crueldade. Ele se destacou por torturar prisioneiros da máfia e por sua brutalidade em assassinatos, incluindo o uso de ácido em um dos casos. Sua ascensão na Cosa Nostra foi influenciada por seu pai, que também era um importante chefe mafioso.
Após a prisão de Totò Riina, Denaro assumiu a liderança da Cosa Nostra e conseguiu se esconder por tanto tempo devido a uma forte rede de apoio, que incluía contratos de confidencialidade e uma estrutura de silêncio entre os membros da máfia. Ele tinha uma base de poder na cidade portuária de Trapani, na Sicília.
Denaro é acusado de ser responsável por uma série de assassinatos nos anos 1990 e foi sentenciado à prisão perpétua por sua participação em atentados a bomba em Florença, Roma e Milão, que resultaram na morte de dez pessoas. Ele também esteve envolvido no sequestro de um garoto de 12 anos, que foi assassinado após dois anos sob a custódia da máfia.
Messina Denaro foi preso em uma clínica particular em Palermo, onde estava em tratamento para câncer. Espera-se que seu corpo seja devolvido à Sicília para um funeral privado nos próximos dias.